Novo episódio do Scientia mostra como a medicina fetal tem permitido tratar bebês ainda na gestação e destaca o trabalho realizado no Hospital de Clínicas da UFPR
A cirurgia fetal, um procedimento de alta complexidade realizado ainda durante a gestação, é tema de um novo episódio do programa Scientia, exibido pela UFPR TV. O conteúdo apresenta ao público o trabalho desenvolvido no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) e mostra como a medicina fetal permite diagnosticar e tratar determinadas condições antes do nascimento, aumentando as chances de sobrevivência e qualidade de vida para os bebês.
No episódio, especialistas explicam como funciona esse tipo de procedimento e quais são os desafios envolvidos em intervenções médicas realizadas ainda no útero. A cirurgia fetal integra o campo da medicina fetal, uma área da ginecologia e obstetrícia dedicada ao diagnóstico e tratamento de doenças antes do nascimento. Em alguns casos, intervenções como transfusões intrauterinas ou outros procedimentos especializados podem ser decisivos para salvar a vida do bebê.
Dr. André Bradley, um dos médicos responsáveis pelo procedimento no CHC, relata histórias marcantes vividas ao longo da carreira. Em um dos casos acompanhados pela equipe, a gratidão da família foi tão grande que a mãe decidiu homenagear os profissionais dando ao filho o mesmo nome dos médicos que participaram do tratamento, Rafael e André.
“Eu e o Dr. Rafael Bruns, que é o outro cirurgião com formação em obstetrícia, somos os dois médicos da equipe. Nós acompanhamos um caso de gestação gemelar em que, quando os bebês nasceram, a mãe virou para a gente e disse: ‘Os nomes deles vão ser André e Rafael’. Eram dois fetos que eram incompatíveis com a vida. Então não tem como a gente não se emocionar com isso. Isso impacta”, disse o Dr. André Bradley”.
A vice-reitora da UFPR e médica cirurgiã pediátrica Camila Fachin explica que o desenvolvimento da cirurgia fetal no hospital começou há menos de uma década, com um caso complexo.
“A primeira cirurgia fetal realizada no Hospital de Clínicas foi em 2016, em um bebê com hérnia diafragmática congênita. É uma condição em que o diafragma, que separa o tórax do abdômen, não se forma completamente. Com isso, as alças do intestino acabam subindo para o tórax e ocupando o espaço onde o pulmão deveria se desenvolver, geralmente do lado esquerdo”, explica.
Segundo ela, o tratamento envolve um procedimento realizado ainda durante a gestação para estimular o crescimento pulmonar do feto.
“Nesse caso, é colocado um pequeno balão dentro da traqueia do feto, ainda no útero. Esse balão impede a saída do líquido que existe naturalmente no pulmão e na árvore traqueobrônquica do feto. Com o líquido ficando retido, ele exerce pressão e ajuda no desenvolvimento do pulmão, mesmo com a presença das alças intestinais no tórax”, afirma.
De acordo com Camila Fachin, o procedimento marcou o início do desenvolvimento da área no hospital.
“Essa foi a primeira cirurgia fetal realizada no HC em 2016 e, desde então, muitas outras intervenções foram realizadas. Hoje já temos um serviço bem consolidado — em 2025, foram realizadas 25 cirurgias fetais no Hospital de Clínicas”, disse. Fachin ainda acrescenta: “O Hospital de Clínicas é o único serviço 100% SUS que oferece cirurgia fetal na região Sul do Brasil. Por isso, somos referência e recebemos pacientes de outros estados, inclusive da região Norte do país”.
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A mãe Camilla Anarie Leite, submetida à cirurgia fetal após o diagnóstico de meningocele durante a gestação, relata que a decisão foi tomada com base na confiança de que o procedimento poderia ajudar o filho. “Foi um susto quando descobrimos a mielomeningocele com 26 semanas. A cirurgia tem os prós e os contras, então é uma questão de a gente usar a nossa fé, acreditar que vai dar tudo certo e que é para o bem dele”, conta.
Segundo ela, apesar das dificuldades, faria a mesma escolha novamente. “É uma cirurgia delicada e existe o risco de o bebê nascer prematuro, mas mesmo assim passaríamos por tudo novamente, com certeza”, afirma.
Após o nascimento, o bebê deverá passar por acompanhamento com diferentes especialistas para avaliar possíveis sequelas. “Só depois do nascimento é que conseguimos saber se ficou alguma sequela ou se a cirurgia ajudou a evitar novos problemas. O que aconteceu antes da cirurgia não é possível reverter”, explica.
Vale ressaltar que a cirurgia fetal para correção de mielomeningocele precisa ser realizada dentro de um período específico da gestação, geralmente até a 28ª semana.
Além de mostrar os avanços da medicina fetal, o episódio também apresenta o papel do Hospital de Clínicas como hospital universitário e referência em atendimento público. Vinculado à UFPR, o complexo hospitalar integra ensino, pesquisa e assistência à saúde, oferecendo atendimento gratuito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Se o procedimento fosse realizado em um hospital particular, o custo da cirurgia poderia chegar a cerca de R$200 mil. Um valor elevado e que reforça a importância do acesso pelo SUS a estes pacientes.
O programa também apresenta o projeto do HCzinho, o futuro Instituto de Pediatria do Complexo CHC. A iniciativa busca ampliar e qualificar o atendimento infantil realizado pelo hospital, com estrutura especializada e voltada exclusivamente para crianças.
Quando estiver em funcionamento, o HCzinho deve ampliar significativamente a capacidade de atendimento pediátrico do complexo hospitalar, com novos leitos, unidades de terapia intensiva e espaços projetados para oferecer cuidado especializado e humanizado às crianças atendidas pelo SUS.
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