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Pesquisadores explicam como ciência na arte auxilia em humanização e conhecimento para sociedade

07 outubro, 2019
14:30
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Acompanhe ao longo da semana uma série de matérias sobre o processo de pesquisa nas produções artísticas e de que maneira a ciência na arte impacta a sociedade. Os textos abordam diferentes estudos de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná na área.

Estar diante da arte significa transcender o momento presente. Trata-se de lidar com as próprias emoções, de um processo de humanização e sensibilização e de constituição da realidade para solucionar problemas sociais. É o que explicam pesquisadores, professores e artistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Entre os trabalhos que realizaram, estão a restauração e apresentação de uma ópera francesa depois de 300 anos e exposições em diferentes espaços, como no Museu Oscar Niemeyer e Museu da Gravura. Para isso, antes de chegar ao público, as produções artísticas passam por um processo de pesquisa, como ocorre nas diferentes áreas de conhecimento.

“O trabalho final traz de forma poética essa problematização do artista sobre a realidade”, Stephanie Dahn Batista. Foto: Leonardo Bettinelli/Sucom-UFPR

Vice-diretora do Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod) e professora do Departamento de Artes (DeArtes) da UFPR, a historiadora de arte Stephanie Dahn Batista esclarece que a obra de arte é entendida não como um reflexo da realidade, mas que constitui a própria realidade. “O artista materializa e encontra uma solução formal para problemas sociais, culturais e históricos artisticamente. Uma obra de arte pode interpretar, representar, como também transgredir, subverter a dita realidade ou até mostrar caminhos de liberdade. Pode ir no imaginário e trazer vivências para o observador com incentivos para outros caminhos”, diz.

A historiadora de arte destaca que isso é resultado de muita leitura, análise de obras de arte, processos criativos e pesquisa. “Pesquisadores de qualquer área formulam um problema de pesquisa, precisam fazer uma delimitação e inserir dentro de um contexto. E isso o pesquisador-artista também faz”, conta. Stephanie ainda explica que nos estudos da área de Artes são definidos também os processos metodológicos como em qualquer estudo, mas dentro de processos artísticos de fotografias, vídeos, sons etc. “Não é que o trabalho final ilustra um dado, mas traz de forma poética essa problematização do artista sobre a realidade”.

Departamento de Artes da UFPR possui sete grupos de pesquisa e conta com laboratórios de diferentes especialidades. Foto: Leonardo Bettinelli/Sucom-UFPR

Musicóloga e intérprete de música antiga há 30 anos, Silvana Ruffier Scarinci, professora do Departamento de Artes da UFPR, explica que uma ópera lida com sentimentos profundos da humanidade, comuns a todos os seres humanos. “Uma obra de arte que aborda tantas questões provoca um refinamento espiritual e psíquico do homem, causando uma reelaboração de suas próprias emoções, de seu lugar no mundo em relação ao outro. A música barroca (e tantas outras formas artísticas) nos torna mais humanos”.

O Departamento de Artes da UFPR possui sete grupos de pesquisa que estudam diferentes temáticas da área, como artes visuais, educação musical, interação artística e música e emoção. Os estudantes e pesquisadores contam com laboratórios de escultura, gravura, pintura, desenho, fotografia, sala de música e ateliê de cerâmica.

Pontuação do Qualis
Artístico na UFPR

Pintura, escultura, gravura, vídeos, performance, fotografia, curadorias, interpretação, trilha sonora, entre outras. As produções artísticas de pesquisadores da UFPR passaram a pontuar também nos sistemas da instituição, desde o primeiro semestre deste ano. A orientação é de que pesquisadores, professores e estudantes insiram em seu currículo Lattes, no campo “Outras informações”, a qualificação da produção de acordo com critérios do Qualis Artístico da Capes. A classificação pode ser conferida neste link.

De acordo com a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PRPPG) da UFPR, Ana Sofia D’Oliveira, a produção dos pesquisadores da Universidade toma diversas formas dependendo da área de atuação. “A valorização da produção artística vinculada à UFPR faz parte do esforço de reconhecer as competências existentes na instituição e vem enriquecer o leque de produtos de qualidade de autoria de nossos docentes e discentes”, diz.

Para a vice-diretora do Sacod, Stephanie Dahn Batista, a conquista significa o reconhecimento da área de produção de conhecimento. “Os cursos de Artes Visuais, de Música, de Comunicação e de Design são áreas de conhecimento muito específicas. Essa especificidade faz com que os nossos produtos também se apresentem com uma certa especificidade dentro de um formato artístico”.

Professora do Departamento de Artes e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Música da UFPR, Rosane Cardoso de Araújo, explica que as produções artísticas são aplicações práticas de resultados de pesquisas realizadas no âmbito do programa, por exemplo. “A possibilidade de termos nossa produção artística avaliada e considerada como produção acadêmica, por meio do Qualis Artístico, é um grande avanço para o desenvolvimento da pesquisa no Brasil. Isso permite um maior respeito às diversidades de produtos derivados das investigações que realizamos, bem como a justa valorização destes produtos”.

Leia outras matérias da série:

Terça-feira (8): Partitura francesa é restaurada após 300 anos por pesquisadora da UFPR

Quarta-feira (9): Exposição da UFPR sobre representações artísticas do corpo humano é uma das mais visitadas do mundo

Quinta-feira (10): Arte circula nas cidades em diferentes formatos a partir de pesquisas na universidade

Por Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR

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