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FEDERAL DO PARANÁ

Número de espécies de libélulas conhecidas no Paraná quase duplica após pesquisa da UFPR

Um estudo realizado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificou 84 espécies de libélulas (insetos da ordem Odonata) em uma área de Mata Atlântica localizada em Piraquara, região metropolitana de Curitiba. 

Dessas, 53 foram registradas pela primeira vez em território paranaense, o que fez quase duplicar o número de espécies desses insetos no estado, passando de 60 para 113. Além disso, cinco espécies até então desconhecidas dos cientistas serão descritas futuramente.

Os resultados foram publicados na revista Zoologia e fizeram parte do projeto de mestrado de Breno Rodrigo de Araújo, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas – Entomologia da UFPR, que avaliou o impacto do represamento de rios sobre comunidades de libélulasO trabalho teve orientação do professor Ângelo Parise Pinto, do Departamento de Zoologia coorientação do professor André Adrian Padial, do Departamento de Botânica. 

A espécie Pantala flavescens é de ampla distribuição e frequente em meios urbanos. Fotos: Breno Rodrigo de Araújo

O Brasil possui a maior diversidade de libélulas no mundo. Porém, o conhecimento está concentrado em poucos estados, como Rio de Janeiro, São Paulo e Pará. Com a criação do Laboratório de Sistemática de Insetos Aquáticos (LABSIA) da UFPR, em 2017, as pesquisas com esses insetos ganharam uma nova perspectiva no Paraná. 

Antes desse período, as grandes expedições de coleta de libélulas na região ocorreram no final do século XIX e início do XX. Naquela época, alguns coletores capturavam e vendiam o material para pesquisadores interessados. “A gente já se deparou com indivíduos de uma espécie que havia sido coletada pela última vez em 1888“, exemplifica Breno.  

A coleta do material ocorreu entre dezembro de 2018 e abril de 2019. Foram programadas 20 expedições, que resultaram em 1700 exemplares em uma área de Mata Atlântica dentro do Parque Estadual Pico do Marumbiconhecida como Mananciais da Serra. O espaço é mantido pela Sanepar e abriga os principais reservatórios de abastecimento de água para Curitiba e região.  

Reservatório do antigo sistema de abastecimento dos Mananciais da Serra

Depois disso, Breno passou para o processo de identificação, que envolveu, entre outras técnicas, a consulta às bases de dados e documentos muito antigos, em outras línguas. “Como eu estava aprendendo, o trabalho acabou sendo mais lento que o normal, mas com a ajuda do orientador, o processo foi exitoso”, resume.

A etapa seguinte foi o depósito desse material na Coleção Entomológica Padre Jesus Santiago Moure, um trabalho quase artesanal, de acordo com o pesquisador. “Você tem que fazer um cartão, com as informações para cada um dos indivíduos, que já passaram pelo processo de fixação (desidratação) em acetona e estufa, para armazená-los em envelopes transparentes”. 

Casal de Diastatops intensa. As asas desta espécie diferem da maioria por serem escurecidas. A fêmea possui manchas douradas discretas em relação ao macho que apresenta manchas e abdomen vermelhos

Além do registro histórico, a identificação das libélulas lança luz sobre a importância desses insetos para o equilíbrio biológico. Como são predadores vorazes, eles desempenham a função de controlar populações de outros insetos, como o mosquito Aedes aegypti. Os insetos aquáticos também fornecem dados importantes sobre a qualidade dos ecossistemas onde vivem, sendo indicadores da saúde geral de riachos, brejos, lagos e reservatórios. 

Espécime de Oxyagrion simile predando um efemeróptero

O próximo passo da pesquisa é a elaboração de outros artigos científicos, com o detalhamento das cinco espécies ainda não descritas e os impactos dos reservatórios na fauna pesquisada 

Com os dados levantados, o Paraná passa a ter cerca de 12% das espécies de libélulas encontradas no Brasil. “Como ainda muito do território paranaense necessita ser explorado e pesquisado, à medida que novos estudos deste tipo sejam realizados, este número tende a aumentar até que tenhamos um conhecimento consolidado da nossa biodiversidade”, conclui Breno.  

Por João Cubas (Aspec/SCB/UFPR)

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