Contar com a possibilidade de ver diversas peças de teatro, apresentações musicais, performances e grandes shows, tudo de graça. Na hora do almoço, à tardinha ou à noite; na rua e nas praças da cidade, no teatro e até na igreja. Desde o último sábado, 7 julho e até o próximo sábado, 14, essa oportunidade única se dá no 17º Festival de Inverno da UFPR em Antonina. O Festival teve sua abertura oficial com show da banda Denorex 80 e Paulo Miklos, da banda Titãs. Sinônimo de irreverência, eles garantiram diversão para o público, com a interpretação de sucessos dos anos 80.
A organização do Festival estima em nada menos do que 9 mil pessoas o público participante da abertura. O show dá o pontapé inicial para um grande festival começar: não apenas com shows e espetáculos, mas muito mais. População local e visitantes são mais que platéia. Participam ativamente vivenciando arte, aprendendo novas técnicas musicais, vocais, artesanais, arte-educacionais. Neste ano somam quase duas mil vagas nos mais diversos cursos, ministrados na forma de 81 oficinas de segunda até a próxima sexta-feira. Os resultados de cada iniciativa serão conhecidos no sábado, numa grande mostra dos talentos surgidos.
O reitor Carlos Augusto Moreira Júnior abriu o evento salientando que o Festival, pela magnitude que tem, só é possível pelo trabalho pelas pessoas, pela dedicação dos servidores técnicos e docentes da UFPR. Também o prefeito de Antonina Kleber Oliveira Fonseca falou da grandiosidade do festival, desejando que outros dezessete – já que 17 foram promovidos até agora – se realizem no futuro.
TROCA MÚTUA
Neste domingo, o festival tocou num ritmo diferente. Mostrou durante todo o dia uma programação voltada para a cultura popular, os grupos de fandango, de boi de mamão e demais representantes da cultura do litoral, caiçara. “É um momento de retomada da força do fandango, tanto das próprias comunidades que se descobrem possuidoras de um conhecimento genuíno, da noção de beleza e força de sua cultura, quanto também das instituições oficiais, de cultura e de repasse de conhecimento, como as universidades. Não é coisa de abrir espaço, porque não é de cima para baixo. É um encontro de diferentes, de soma das diferenças, de quebra de barreiras de conhecimento”, explica o pesquisador Itaércio Rocha, coordenador das atividades dos grupos.
A cultura do litoral foi colocada em evidência na forma de depoimentos dos vários mestres fandangueiros, que falaram de suas trajetórias e de seus grupos. Foi um domingo inteiro de encontros, de discussões com todos os grupos de brincantes e pessoas que trabalham com a cultura popular do litoral e que, espera-se, seja o início de um grande movimento, com novos encontros e discussões não apenas dos grupos do litoral, mas também de uma aproximação com os grupos do primeiro planalto e a congada; do Norte do Paraná e as folias de Reis e Dança de São Gonçalo, além das comunidades quilombolas e suas ervas, rezas, remédios e comidas.
“Não é só bonito, como faz bem e chama a atenção, as pessoas estão interessadas”, entusiama-se Itaércio, vislumbrando um futuro de novos eventos e encontros se estruturando. “Temos que romper com a dívida e dar condições para que eles dialoguem entre si. Não há resistência e sim dificuldades”, completa.
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Fonte: Leticia Hoshiguti
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