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FEDERAL DO PARANÁ

Egressa da Pós em Saúde da Criança e do Adolescente ganha prêmio nacional de alergia e imunopatologia

A recém doutora, pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente (PPGSCA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Cinthya Thom de Souza, foi premiada com o trabalho “Presença de alérgenos de soja (Gly m 1) no ar em Maringá“. A pesquisadora identificou um cenário preocupante na área e entornos da cidade do norte do Paraná. Segundo ela, foram feitos levantamentos prévios da Europa, que evidenciaram a presença do alérgeno da poeira da soja, que é diferente dos alérgenos alimentares deste grão, como causador de crises de asma nas populações portuárias expostas.

O principal caso identificado pela cientista é o alérgeno de soja encontrado em todas as amostras testadas. Com a pesquisa, ela conseguiu identificar que 23% delas encontram-se em níveis elevados, identificando correlação positiva com a temperatura, umidade relativa do ar, vento e insolação. Os resultados chamam a atenção pela exposição constante desta população a esse alérgeno, que por muitas vezes está em níveis elevados, possivelmente capazes de sensibilizar e gerar sintomas respiratórios. “Até o momento, não temos outros levantamentos no Brasil, mas certamente este trabalho vem alavancar outras pesquisas sobre esse importante alérgeno ambiental para os pacientes com quadros alérgicos respiratórios, particularmente nas regiões da agroindústria da soja”, relata.

Sob orientação dos professores Nelson Augusto Rosário Filho, do Departamento de Pediatria, e Ricardo Henrique Moreton Godoi, do Departamento de Engenharia Ambiental da UFPR, o estudo pôde verificar a presença e concentração do alérgeno principal da poeira da casca da soja na atmosfera da cidade e possíveis associações aos fatores climáticos. A soja foi escolhida pela alta prevalência desta cultura no Brasil e nesta região do país.

De acordo com Nelson Rosário, a orientação do trabalho partiu de uma pergunta específica relacionada à saúde e, relacionado à exposição ambiental aos alérgenos moleculares da soja, produto agrícola importante para a economia do Estado. “As consequências à saúde respiratória da população exposta são conhecidas. A doutora Cinthya desenvolveu um trabalho de campo em sua cidade de atuação profissional com evidente interesse em seus resultados. O que tornou viável a sua tese foi a colaboração do professor Ricardo Godoi, que colocou à disposição o equipamento necessário para coletar o ar ambiente”, informa o docente.

A coleta de materiais atmosféricos foi realizada durante o período de março de 2017 à março de 2018, em um intervalo de 24 ou 48 horas distribuídas no decorrer do ano, totalizando 70 amostras, das quais 10 foram excluídas por problemas técnicos de coleta. As amostras foram avaliadas pelo método ELISA (Enzyme Linked Immunosorbent Assay) para a poeira de soja, sendo que todas as amostras apresentaram níveis detectáveis de alérgeno.

O método ELISA de imunoabsorção enzimática é um teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos. Este teste é usado no diagnóstico de várias doenças que induzem a produção de imunoglobulinas, entre outras.

O trabalho revela que a média de concentração do alérgeno de soja foi de 4,89 ng/m3 – nanogramas de medição na qualidade do ar. Os valores encontrados variaram de 0,66 ng/m3 a 1826,1 ng/m3. Das 60 amostras analisadas, 23% delas apresentaram valores superiores a 90 ng/m3 em dois meses, com concentrações mais elevadas: junho de 2017 e março de 2018. De acordo com as análises, houve correlação positiva das concentrações de alérgeno de soja com as temperaturas máxima, média e mínima, umidade relativa, vento e insolação.

Por fim, os dados evidenciam exposições constantes da população ao alérgeno, por vezes em níveis elevados, possivelmente capazes de gerar sensibilização e sintomas respiratórios.

Cinthya Thom de Souza é médica formada pela UFPR, onde realizou residências, mestrado e doutorado. Foto: Arquivo Pessoal

Sobre o Prêmio
O prêmio recebido foi o “Oswaldo Seabra”, entregue na cerimônia de abertura do XXXIX Congresso Brasileiro ao melhor trabalho em Alergia Clínica, em novembro de 2022. Além disso, o trabalho é publicado como artigo original na revista Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia (ASBAI).

Segundo Cinthya, essa pesquisa abre portas para outros na área, tendo em vista a originalidade do tema e o assunto ainda pouco explorado. Para ela, apresentar seu trabalho no congresso é motivo de muita honra e alegria. “Fiquei extremamente feliz e lisonjeada em ser agraciada com este prêmio. É uma forma de reconhecimento por todo o trabalho desenvolvido durante esses anos do doutorado”, finaliza.

 

Por Felipe Reis, sob orientação de Lais Murakami

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