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FEDERAL DO PARANÁ

Doutoranda da UFPR é coautora de artigo na Science Advances sobre intervenções em mudanças climáticas

Angélica Andersen, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), contribuiu como parte do grupo de pesquisadores que representou o Brasil no projeto mundial sobre intervenções comportamentais em mudanças climáticas liderado pela New York University (NYU). O resultado desse esforço é a publicação de um artigo na prestigiada revista Science Advances (leia aqui).

O projeto reuniu 250 pesquisadores de todo o mundo, coletando dados de 59 mil participantes em 63 países. O grupo de pesquisadores brasileiros incluiu a professora Karen Mascarenhas (USP) e os professores Flávio Azevedo (Cambridge), Paulo Sérgio Boggio e Gabriel Rego (Mackenzie), com apoio da Fapesp. A iniciativa internacional foi liderada por Madalina Vlasceanu, professora do Departamento de Psicologia da NYU.

Desde o mestrado na UFPR, Angélica Andersen vem investigando desinformação, explorando as interseções entre linguística e psicologia. Seu contato com o professor Jay Van Bavel, da NYU, levou-a a integrar o grupo de cientistas responsáveis pela pesquisa. “O processo foi longo, mas extremamente colaborativo. Avaliamos as intervenções a serem testadas e adaptamos o estudo para diferentes contextos culturais, incluindo o Brasil”, explica.

A equipe internacional de cientistas criou uma ferramenta que pode ajudar a aumentar a conscientização e a ação climática em todo o mundo, destacando tópicos de mensagens que se mostraram eficazes por meio de pesquisas experimentais. A ferramenta, descrita como um “Webapp de intervenção climática”, leva em consideração uma série de públicos-alvo nos países estudados, desde a nacionalidade e a ideologia política, até a idade, o gênero, a educação e o nível de renda.

O artigo destaca a importância da ciência comportamental na promoção de comportamentos sustentáveis frente às mudanças climáticas. Com base em dados coletados globalmente, o estudo revela estratégias eficazes para impulsionar a conscientização e a ação climática em diferentes contextos. 

De acordo com os pesquisadores, as descobertas do estudo têm o potencial de impactar não apenas a comunidade científica, mas também as políticas públicas e as práticas de engajamento comunitário em todo o mundo. “Ao identificar estratégias eficazes de comunicação e engajamento, podemos criar uma cultura de conscientização e ação climática em escala global. A pesquisa demonstra o poder da colaboração internacional e multidisciplinar na abordagem dos desafios mais urgentes da nossa era e inspira colegas e futuras gerações de pesquisadores a continuarem explorando novas fronteiras no campo da ciência comportamental. Ao unir forças e compartilhar conhecimentos, podemos enfrentar as mudanças climáticas com determinação e esperança”, conclui a coautora Angélica.

Pesquisadora do PPG Letras da UFPR, Angélica Andersen. Foto: arquivo pessoal

Resultados

Fundamentados na ciência comportamental, os pesquisadores afirmam que, por meio de intervenções estratégicas, baseadas em evidências científicas, é possível incentivar mudanças de comportamento que contribuam para a mitigação das mudanças climáticas e a promoção da sustentabilidade ambiental. O estudo representa um avanço significativo nesse campo. Ao analisar a eficácia de diferentes mensagens e intervenções, identifica como é possível mobilizar o público e influenciar atitudes em relação às mudanças climáticas.

Entre as mensagens testadas pelos autores do artigo estavam as consequências da mudança climática em um estilo de “desgraça e tristeza” (por exemplo, “A mudança climática representa uma séria ameaça à humanidade”). Os pesquisadores também apresentaram exemplos de ações climáticas bem-sucedidas realizadas no passado. Uma intervenção adicional pediu aos participantes que escrevessem uma carta para um membro da geração futura descrevendo as ações climáticas que eles estão realizando hoje para tornar o planeta habitável em 2055. Outras incluíam enfatizar o consenso científico sobre os fatos e enquadrar a ação climática como uma escolha patriótica ou popular.

Para avaliar a eficácia dessas intervenções, os autores do artigo testaram o apoio dos participantes a várias visões, políticas e ações relacionadas ao clima . Por fim, avaliaram o desejo dos participantes de compartilhar informações sobre a mitigação do clima nas mídias sociais.

Os dados foram coletados entre julho de 2022 e maio de 2023. De modo geral, embora as respostas tenham variado significativamente de acordo com a localização geográfica, a demografia e as crenças dos participantes, 86% reconheceram os perigos representados pelas mudanças climáticas e mais de 70% apoiaram ações sistêmicas/coletivas para lidar com as mudanças climáticas. “Essas respostas revelam um consenso global em relação aos perigos apresentados pela mudança climática e à importância de implementar a mitigação climática em nível sistêmico”, observa Jay Van Bavel, professor de psicologia da NYU e um dos autores do artigo. “É fundamental que as pessoas percebam que há um consenso global esmagador sobre essa questão”.

No entanto, houve diferenças notáveis entre os países em resposta às mesmas mensagens ou intervenções. Enfatizar o consenso científico sobre as mudanças climáticas aumentou o apoio a políticas favoráveis ao clima em 9% na Romênia, mas diminuiu esse apoio em 5% no Canadá.

Pedir aos participantes que escrevessem uma carta para uma criança socialmente próxima, como um membro da geração futura, teve os seguintes efeitos: a intervenção aumentou o apoio à política climática nos seguintes países: Estados Unidos (10%), Brasil (10%), Gana (8%), Rússia (7%) e Nigéria (5%). Por outro lado, reduziu ligeiramente o apoio à política nos Emirados Árabes Unidos e na Sérvia (3%), bem como na Índia (2%).

Entre os participantes que usaram as mídias sociais, a disposição em compartilhar informações sobre mudanças climáticas nessas plataformas aumentou em geral em resposta a todas as intervenções testadas. Os maiores ganhos ocorreram depois que os participantes leram fatos sobre os impactos negativos das mudanças climáticas – um estilo de mensagem “sombrio e desanimador”. Depois de ouvir essas mensagens, os participantes ficaram 12% mais propensos a compartilhar mensagens pró-ambientais nas mídias sociais.

Entretanto, nenhuma intervenção aumentou o apoio à ação “uma iniciativa de plantio de árvores”. Algumas diminuíram a probabilidade de expressar a vontade de realizar essa ação em nível individual. Alguns ativistas argumentaram a favor de um estilo de mensagem de “desgraça e tristeza” como uma forma de incentivar mudanças. Outros, no entanto, disseram que essas mensagens podem não ter impacto sobre o comportamento ou, pior ainda, que podem deprimir e desmoralizar o público, levando-o à inação.

“Nossos resultados esclarecem o impacto das mensagens destinadas a atingir objetivos específicos”, conclui Madalina Vlasceanu. “Ao mesmo tempo, essas descobertas deixam claro que o alcance eficaz depende da crença preexistente das pessoas nas mudanças climáticas, mostrando que os legisladores e defensores precisam adaptar seu alcance às características de seu público.”

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