O que o amanhã espera das novas gerações de profissionais? Para ajudar estudantes a refletirem sobre a escolha de suas carreiras, o Portal UFPR apresenta uma série de matérias sobre as oportunidades presentes na maior feira de cursos e profissões do Paraná, o Universo UFPR. O evento, gratuito, acontece em junho, em Curitiba, e será a oportunidade perfeita para conhecer de perto mais de 100 cursos de graduação da universidade e explorar as possibilidades de futuro que cada área oferece.
As novas tecnologias vêm impactando cada vez mais todas as áreas de conhecimento. Para vestibulandos interessados em tornar-se professores, comunicadores, artistas e profissionais das Ciências Humanas, pode surgir uma dúvida: qual será o papel dessas carreiras no futuro?
Os docentes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostram que, em um cenário em que ferramentas como as inteligências artificiais (IAs) estão cada vez mais presentes na sociedade, essas profissões são consideradas mais essenciais do que nunca. Justamente por conta do avanço tecnológico, habilidades e competências essencialmente humanas como criatividade, pensamento crítico, sensibilidade e capacidade de interpretação tornam-se o grande diferencial no mercado de trabalho.
Nesse sentido, as graduações da UFPR ligadas a esses campos estão sempre em atualização e adequação, para que permaneçam em sincronia com o mundo contemporâneo ao mesmo tempo em que não deixem de lado sua formação humanística.
Visão crítica, curiosidade, apreço pela humanidade e pelo que ela tem a dizer e expressar são características importantes para quem quer trabalhar nessas áreas, independente dos avanços tecnológicos. Para a professora Marina Chiara Legroski, coordenadora do curso de Letras da UFPR, o diferencial desses profissionais está no olhar questionador e na disposição para refletir e problematizar os acontecimentos e contextos ao seu redor.
“As Ciências Humanas são essa área em que lutamos para mostrar que a tecnologia não vai e não pode substituir tudo, apesar de estarmos imersos nelas”, afirma. “É uma área científica interessada no ser humano, nas suas coisas, nas suas ideias, nas suas práticas, nos seus pensamentos, nos seus aspectos”.
A curiosidade e a contestação também são características de quem vai para o campo da comunicação. Carreiras como a de jornalista, por exemplo, têm, na interação com o outro, na escuta atenta e na busca por histórias e diferentes perspectivas, elementos considerados centrais da atuação profissional.
“Continua sendo uma profissão dos homens e mulheres curiosos, que têm um grande espírito coletivo e cívico, no sentido de uma construção de uma sociedade mais igual”, afirma José Carlos Fernandes, docente do Departamento de Comunicação da UFPR. “É uma profissão dos inconformados, dessas pessoas que têm uma paixão pelo humano, pelo que as pessoas têm a dizer”.
As tecnologias como as IAs e o impacto delas nessas profissões vêm sendo debatidas de diversas formas nesses campos profissionais. Na área de Letras, por exemplo, questiona-se se essas ferramentas vão substituir o trabalho humano em atividades como tradução, revisão e a própria criação de textos.
Sobre isso, Marina Legroski destaca uma distinção importante: a IA é um “gerador de textos”, mas não um “escritor”. Para a docente, o mercado valorizará cada vez mais o profissional que possui um letramento crítico e que saiba “humanizar” conteúdos, diferenciando-se da padronização robótica vista em diversos textos gerados pelas IAs.
“Acredito que de maneira nenhuma vamos ser suplantados, porque os seres humanos querem conexão com outros seres humanos”, opina. “Não sou da área da literatura, mas você imagina alguém se emocionando, chorando, se empolgando com uma história escrita por inteligência artificial? Eu acho difícil, porque você pensa que esse narrador não viveu isso, não sabe o que é isso. É muito complexo. Então eu acho que o trabalho de um ser humano por trás do texto vai ser cada vez mais necessário”.

José Carlos Fernandes afirma que, no campo do jornalismo e da comunicação em geral, as tecnologias auxiliaram na melhora da qualidade da informação. Se antes os profissionais estavam mais restritos ao “bloquinho”, hoje há ferramentas que permitem entrevistas e reuniões de longa distância ou até fazer pesquisas com milhares de pessoas por recursos como formulários on-line.
Porém, na visão do professor, esses avanços não substituem algo fundamental na carreira: a conversa e a troca.
“Se a inteligência artificial gera um processo solitário, se ela pula essa etapa do consenso, da troca, que é a natureza da profissão, entendo que essa profissão está sendo deformada na sua origem”, diz. “A notícia é um processo coletivo, e se não é feita a escuta e a observação, a narrativa, o contato com o território e com o dado, se essas instâncias e a conversa não são respeitadas, você está fazendo uma outra coisa”.
O docente também ressalta que, em um cenário de excesso de informações e crescente circulação de conteúdos falsos ou enganosos, a atuação dos profissionais da comunicação torna-se ainda mais importante, pautada na credibilidade.
“A figura do jornalista, além das habilidades que ele tem que ter na apuração da notícia, na comunicação da informação de uma maneira o mais próxima possível da verdade, ele ainda tem que ser um mediador nessa sociedade da desinformação”, afirma.
Em meio aos desafios encontrados pelos profissionais da comunicação e das Ciências Humanas nesse contexto, os professores destacam que a formação universitária nessas áreas contribui para desenvolver o pensamento crítico e atuar de maneira consciente diante das transformações da sociedade.
“Eu acredito muito que um profissional formado com base crítica e com pensamento questionador, que já é um pouco o perfil de pessoas que procuram essa área, que aprimore essas habilidades e direcione esses questionamentos e essa curiosidade para um lugar produtivo, é algo que vai fazer diferença na sociedade”, ressalta Marina Legroski.
O acompanhamento e a atualização diante das inovações tecnológicas também são marcas dos campos da Educação e das Artes. Cada vez mais, alunos da educação básica têm amplo acesso à internet e às IAs, ao mesmo tempo em que as transformações digitais alteram as formas de criação, circulação e consumo de arte e cultura.
Quem opta por escolher um curso de Licenciatura no Vestibular tem pela frente uma área com grande alcance no mercado de trabalho, de acordo com o professor Jean Carlos Gonçalves, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPR. Os profissionais podem atuar nas escolas em diferentes níveis mas também fora dela, como nos campos de gestão e elaboração de políticas públicas. Para o docente, o campo está permanentemente em construção e conectado com as questões contemporâneas.
“O profissional da educação é um apaixonado. Por gente, por humanidade, por pensar a formação do ser humano, uma formação integral, uma formação para diferença”, afirma. “Tem que ser alguém que esteja conectado com o mundo, com o seu entorno mais próximo e com as suas possibilidades de alargamento da sua própria visão de sujeito, que em suas relações pensa uma educação ampla, uma educação para toda a gente”.
No contexto de rápidas transformações na sociedade, o professor destaca que o papel dos educadores permanece essencial. Os educandos também estão em constante mudança: a cada geração, há uma mudança de como os alunos lidam com as inovações tecnológicas, e nisso está a importância da atuação do professor, que é um profissional que não fica estagnado.
“A profissão do professor nunca vai acabar. Isso pode ser afirmado categoricamente tendo em vista que nós somos mediadores entre o sujeito a sua relação com a cultura, e por consequência com a tecnologia”, ressalta. “Não precisamos ter medo, o mundo precisa de ação e o grande profissional da mediação nesse momento especialmente é o professor, que de alguma forma pensa o olhar do ser humano para o mundo e para tudo que o cerca”.
Para isso, os cursos de licenciatura vêm atualizando seu currículo, acompanhando as novas realidades e tornando a graduação mais conectada com as demandas das comunidades.
“O setor de Educação tem feito um trabalho, entre departamentos e programas de pós-graduação, de pensamento sobre a formação e de que forma esse pensamento que vem ali nos currículos de cada curso pode se refletir em ação para uma prática pedagógica, didática, sintonizada com o hoje, com o mundo contemporâneo”, conta o docente.
Nas Artes, a relação com a tecnologia também faz parte da formação e da atuação profissional. Ferramentas digitais passaram a integrar processos criativos, pesquisas e práticas pedagógicas, ampliando as possibilidades tanto para artistas quanto para os profissionais que atuam no ensino de Artes.
O professor Alaor de Carvalho, coordenador da Licenciatura em Artes do Setor Litoral da UFPR, cita como exemplo as adaptações que foram feitas pelo setor artístico na pandemia do coronavírus, com produções sendo feitas e compartilhadas pela tela do computador. Mesmo após esse período, segundo o professor, as novas mídias e tecnologias, inclusive as IAs, influenciam os projetos acadêmicos e artísticos.
“A pandemia mexeu conosco no sentido de modificar também as nossas práticas pedagógicas. Passamos isso para os estudantes do curso também, que eles levem isso para sua realidade depois que forem trabalhar com arte, seja no campo da educação, seja no campo artístico, pois essas inovações tecnológicas estarão presentes”, afirma.

O docente destaca que o curso de Artes da UFPR Litoral tem um projeto político pedagógico que abre o campo das inovações tecnológicas para que o estudante tenha autonomia em criar seus projetos. Isso vai ao encontro da realidade de muitas profissões hoje, de estar presente nos ambientes digitais.
“Tem vários artistas que optam, inclusive, por trabalhar digitalmente. Já se tornou até uma linguagem estética mesmo, uma questão de escolha estética do produto artístico nas plataformas digitais”, diz. “Hoje temos produções artísticas só para as redes sociais”.
Mesmo com as mudanças trazidas pelas novas tecnologias, Alaor de Carvalho relembra que a essência da área permanece ligada à criatividade e à sensibilidade.
“Quem escolhe a arte é porque entendemos que é um apaixonado pela arte, seja ela qual linguagem for e seja ela no campo da presença ou no campo digital”, afirma. “A arte vai estar sempre modificando e transformando vidas humanas, porque é a área que mais nos engrandece e nos ajuda no desenvolvimento interpessoal, não só nas profissões de artista, pesquisador ou educador, mas também como ser humano que usufrui dessas produções”.
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Universo UFPR 2026
Data: 11 a 14 de junho
Horário: das 9h às 18h
Local: Centro de Eventos Positivo. Alameda Ecologica Burle Marx, 2518 – Santo Inácio, Curitiba – PR
Evento gratuito
Agendamento para escolas e ingressos individuais: https://agendamento.universoufpr.com.br/
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