Por João Cordeiro, João Heim, Luana Lopes e Daniel Felipe
A tarde que começou sob um sol escaldante, terminou repleta de risos, lágrimas e alguma chuva – um roteiro perfeito para o Banho de Lama, evento anual da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que divulga o resultado do Vestibular. Nesta sexta-feira (16), o campus do Setor de Ciências Agrárias foi o palco que teve como estrelas os mais novos alunos e alunas da maior universidade pública do estado do Paraná.
Antes da divulgação do resultado, ocorrida às 14h, o Reitor Marcos Sunye destacou o mérito dos aprovados. “Esse é o vestibular mais concorrido dos últimos anos, graças a um trabalho imenso. A gente está numa universidade que é cada dia mais concorrida, o que traz mais valor para a entrada de vocês”.
“A UFPR é de vocês, a universidade existe por causa e para os estudantes. Bem-vindos à UFPR”, disse Sunye.
Yasmin Maria Calisto, caloura de Engenharia Mecânica, foi uma das aprovadas e conta que a trajetória até a aprovação não foi simples. E que a emoção da aprovação supera todos os sacrifícios realizados ao longo do ano de estudos.
“É muito emocionante, porque eu estudei em um cursinho grátis, eu não tive cursinho pago, então o ano todo estudando das 8 às 8 horas no final de semana, sábado e domingo, não podendo mais ver a minha família. É uma emoção poder passar e finalmente ter essa alegria de estar na UFPR”, conclui.
Entre os aprovados também estão as gêmeas Isabela e Nathalia Paulin, calouras de Ciência da Computação. As jovens contam que estudaram juntas para o Vestibular e que decidiram pelo curso por gostar da área de programação.
“A sensação de passar e participar do Banho de Lama é uma loucura”, diz Isabela. “Ainda não caiu a ficha direito”, complementa a irmã Nathalia.

Guilherme Tokarski Ossaiff, aprovado em Direito, conta que se dedicou durante dois anos para a sonhada aprovação. “E a sensação agora é de dever cumprido, de realização, e o sabor da lama é a vitória mesmo”.
Passada a euforia da aprovação, os calouros já podem fazer o registro acadêmico, que estará disponível até as 17h59 do dia 19 de janeiro. A lista dos documentos que devem ser entregues está no site do Núcleo de Concursos, como explica a Pró-reitora de Graduação e Educação Profissional, Andréa Caldas.
“Isso vale para os candidatos aprovados no primeiro semestre, no segundo semestre, e também para quem está na lista de espera, que tem que enviar esses documentos para no caso de ser chamado, já estar ali engatilhado o seu registro acadêmico”.
A comemoração também contou com os aprovados no processo seletivo específico para migrantes refugiados, que teve o seu resultado divulgado em 2025. Alfert Garcia, venezuelano que está há nove anos no Brasil, vai cursar Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na UFPR. O calouro afirma que estava aguardando ansioso pelo Banho de Lama, e foi celebrar com os filhos.
“Estou comemorando duas vezes. Uma das coisas que me inspirou foi o Banho de Lama do ano passado. Falei: ‘ano que vem é o meu’. Sensação maravilhosa”.
Foram 86 migrantes refugiados aprovados no processo seletivo entre 200 inscritos, além de outros 86 que realizarão formação suplementar. Jessica Manuel, angolana que veio para o Brasil há três anos, acaba de se tornar caloura de Agronomia. Ela também levou o filho para a festa.
“Quis vir, ver a adrenalina do pessoal, estar nesse momento. Estou bem animada!”

Para os veteranos do curso de Letras Libras, David Seville e Rayane Cristina, ambos de 19 anos, o sentimento da tarde de sexta-feira foi de ciclo completo. Eles lembram que o processo seletivo para o curso de Letras Libras é separado do vestibular geral da UFPR, e o ano anterior foi o primeiro em que a divulgação dos aprovados no curso foi no mesmo dia em que a do vestibular geral.
“O nosso curso é pequeno e ter mais gente é muito bom. Eu estou muito feliz de estar participando, porque ano passado não tive a oportunidade de vir e esse ano está muito maneiro”, disse David Seville.
Como integrante da comunidade surda, mas não sendo uma pessoa surda, Rayane Cristina se sente muito feliz por recepcionar mais estudantes do curso, que se expande ano após ano. “Quanto mais a gente cresce, melhor é. A inclusão, a amizade e a parceria que a gente tem é incrível. O brilho nos surdos quando vem algum ouvinte que fala que fala libras, é muito gratificante”, colocou Rayane.
Andrey Puppi, 40 anos, também veterano de Letras Libras, notou o quão importante é a chegada de novas turmas, especialmente a chegada daqueles alunos que são surdos. Para ele, a participação no Banho de Lama é “uma grande oportunidade para a comunicação dos surdos” e o desenvolvimento do curso é algo a se comemorar.
Para a recém-aprovada no curso de Letras Libras, Geovana Rulka, 17 anos, estar suja de lama é uma vitória. Como uma jovem surda, Rulka diz que o apoio dessa comunidade foi essencial para que ela fosse aprovada no vestibular. “Eu fiquei bem apreensiva quando vim fazer o vestibular. Quando eu recebi a resposta de que fui aprovada, eu estava com amigas e mais os intérpretes aqui, e, cara!, agora tô na faculdade. Eu estou muito feliz”, disse.
Ao total, foram aprovados 20 estudantes no curso de Letras Libras, que completa, neste ano, 11 anos. No Vestibular de 2026, dos 20 candidatos aprovados, 12 são surdos e 8 são ouvintes.
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