Iniciativa mapeia a densidade e estuda o mosquito que transmite a dengue
Com duração de aproximadamente um ano, um estudo de vigilância entomológica está mapeando a presença do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, em três campi da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. A ação ocorre por meio do Edital de sustentabilidade 18/2025 – CIPIS/PRPI/UFPR, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI-UFPR).
O estudo é conduzido pelo mestrando Lucas Neris, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR, orientado pela professora Magda Costa-Ribeiro, pesquisadora do Laboratório de Insetos Vetores e Parasitos do Departamento de Patologia Básica. A iniciativa tem também apoio da Coordenadoria de Atenção Integral à Saúde do Estudante (Caise), vinculada à Pró-Reitoria de Pertencimento e Políticas de Permanência Estudantil (P4E).
A ação surgiu a partir do grande aumento dos casos de dengue em Curitiba no ano de 2024, assim como observações da presença do Aedes aegypti no campus do Centro Politécnico. Após o contato com pessoas da comunidade acadêmica que tiveram dengue, a professora Magda Costa-Ribeiro imaginou que estas pessoas poderiam ter sido infectadas na própria universidade, por passarem o dia no espaço. Com essa premissa inicial, as ideias avançaram para uma pesquisa estruturada.
Desde o início de 2026, foram instaladas armadilhas para mosquitos, chamadas de ovitrampa, as quais as fêmeas da espécie deixam seus ovos sobre um pedaço de madeira. Elas foram instaladas em 15 pontos nos três campi da UFPR: o Centro Politécnico, Jardim Botânico e o setor de Ciências Agrárias. Os espaços foram escolhidos pela grande concentração de estudantes e funcionários da universidade. Duas vezes por semana é feita vistoria das armadilhas, como troca de água e da madeira onde as fêmeas deixam seus ovos. Os trabalhos devem seguir até o início de 2027.

“A gente observa se há ovos e faz a quantificação por armadilha e por campus. Depois, colocamos os ovos na água para obtenção dos mosquitos, e posterior análise virômica deles”, afirma Lucas Neris, sobre o processo de coleta dos materiais. Lucas também conta que foram coletados mais de 2 mil ovos nas armadilhas, entre o final de janeiro e o início de março.
Além da pesquisa, o projeto prevê ações de orientação à comunidade acadêmica antes do verão de 2027. A iniciativa incluirá a divulgação de informações sobre sintomas da dengue, formas de prevenção e procedimentos para busca de atendimento em caso de suspeita da doença, e participação da comunidade para o encontro de locais em que o vetor possa se desenvolver.
“A gente vai deixar cartazes em todos os campi, em todos os murais, setores e departamentos para essas pessoas, assim que sentirem esses sintomas, procurarem atendimento na Casa 1, que contará com uma equipe preparada para fazer esse acolhimento”, afirma Lucas.
Para a professora Magda Costa-Ribeiro, o monitoramento também contribui para ampliar o conhecimento sobre a circulação do vetor em ambientes universitários. Segundo ela, as informações produzidas pelo estudo podem auxiliar na adoção de medidas preventivas dentro e fora da UFPR.
“Trazer esse assunto para dentro da universidade é salutar, é superimportante e urgente no sentido de que cada vez mais, com as mudanças climáticas, a gente observa mudança também no comportamento e na distribuição desse vetor”, conclui.
Como resultado dos estudos ao longo do período, será permitido identificar padrões de distribuição dos vetores nos campi e sinalizar medidas que possam ser tomadas para evitar a proliferação do mosquito e do vírus da dengue.
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