A Universidade Federal do Paraná (UFPR) integra uma cooperação internacional entre Brasil e Moçambique voltada ao Centro Agroflorestal de Mabalane (Cefloma II). A iniciativa reúne ações de preservação ambiental, pesquisa científica e segurança alimentar na província de Gaza, no sul do país africano.
O projeto teve assinatura oficial na última sexta-feira (22), em cerimônia realizada na Residência Oficial da Embaixada do Brasil, em Maputo, capital moçambicana. O acordo integra um ajuste complementar bilateral firmado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Moçambique, em novembro de 2025.

Participaram da assinatura o embaixador do Brasil em Maputo, Ademar Seabra da Cruz Júnior, a ministra da Educação e Cultura de Moçambique, Samaria dos Anjos Filemon Tovela, e o reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), professor e doutor Manuel Guilherme.
A coordenação do projeto ficará a cargo da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. A execução técnica das ações caberá à UFPR, por meio do Departamento de Ciências Florestais (Decif). Do lado moçambicano, a coordenação das atividades ficará sob responsabilidade do Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com a UEM.
Entre os principais objetivos do projeto, a redução do desmatamento e da degradação da floresta de Mabalane, além de ações voltadas à recuperação ambiental da região.
Outro eixo do Cefloma II envolve pesquisas relacionadas à lagarta Mopane (Gonimbrasia belina), alimento tradicional e importante fonte de proteína para comunidades em situação de vulnerabilidade social. Os estudos contemplam técnicas laboratoriais para criação da espécie e ações voltadas à segurança alimentar local.
O professor do Decif, Nilton José Sousa, será o coordenador técnico das atividades de pesquisa e capacitação. A coordenação de gestão junto à ABC e à Embaixada do Brasil em Maputo ficará sob responsabilidade do professor Dartagnan Baggio Emerenciano, pesquisador com atuação em projetos científicos em Moçambique desde 1981.
Segundo o professor de Engenharia Florestal da UFPR, Dartagnan Baggio Emerenciano, o projeto representa mais um capítulo da atuação histórica da universidade no continente africano. “Esse projeto é mais um que destaca a participação da UFPR na África e em especial em Moçambique pois o Curso de Engenharia Florestal do Setor de Ciências Agrárias da UFPR tem atuado em Moçambique desde 1979, colaborando na formação de estudantes em nível da graduação e pós-graduação, além de capacitar as populações locais em metodologias e técnicas para subsidiar o desenvolvimento social e econômico das regiões mais carentes.”
Para o professor, a assinatura oficial da parceria representa um marco para as ações conjuntas entre os dois países. “Consolida o início das atividades do projeto e a continuidade das ações no ensino e na pesquisa conjunta entre os dois países, em especial entre a UFPR e a Universidade Eduardo Mondlane.”
A primeira fase do Cefloma II terá duração de três anos, com construção de sede administrativa, alojamentos para estudantes e professores, laboratórios, viveiros de mudas florestais e aquisição de equipamentos para pesquisas e capacitações técnicas.
Também consta no planejamento a elaboração de um plano de recuperação florestal com espécies alternativas de rápido crescimento, com o objetivo de reduzir a pressão sobre a vegetação nativa da região.
Além das ações ambientais e científicas, a cooperação representa um avanço na internacionalização da UFPR e nas relações acadêmicas entre Brasil e Moçambique. Entre as atividades previstas, intercâmbio de conhecimentos, pesquisas de campo, capacitação e colaboração entre estudantes e professores das duas universidades.
Segundo Dartagnan, os resultados também terão reflexos na formação acadêmica dos estudantes da UFPR. “Os resultados das pesquisas e a experiência adquirida serão repassados aos alunos na programação das disciplinas afins, de acordo com o programa e aos objetivos do projeto.”
Nos próximos meses, uma missão oficial brasileira seguirá para Moçambique. A comitiva participará do lançamento da pedra fundamental do projeto em Mabalane, marco inicial das obras e das atividades de campo. A missão contará com a participação do reitor da UFPR, Marcos Sunye, além de autoridades brasileiras e moçambicanas ligadas ao projeto.
Sobre as próximas etapas da cooperação, Dartagnan ressaltou o planejamento já definido para os próximos anos.
“O projeto prevê atividades para 3 anos, envolvendo construções de infraestrutura, laboratórios e programas de cursos de capacitação. No primeiro mês serão acordados os procedimentos operacionais e a definição do cronograma de ações para os 3 anos. Eu, como professor aposentado, estarei em 3 períodos anuais de permanência em Moçambique com duração de 3 meses cada, coordenando as ações operacionais junto a Embaixada do Brasil em Maputo e em Mabalane”, disse.
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