Ação de pesquisa e extensão trabalha no combate ao abuso de menores no ambiente virtual
A crescente preocupação com a violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital mobiliza iniciativas no país. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Projeto de Prevenção ao Aliciamento de Crianças e Adolescentes (Proteca) atua desde 2018 como uma iniciativa interdisciplinar, que articula pesquisa e extensão para prevenir o aliciamento de menores e conscientizar a sociedade sobre os riscos da violência on-line.
Tal cenário é reforçado por dados recentes. Entre 2024 e 2025, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontou, na pesquisa Disrupting Harm in Brazil, que 19% dos jovens entre 12 e 17 anos já foram vítimas de exploração e/ou abuso sexual facilitados por tecnologias digitais.
“A gente entende que o fenômeno da violência on-line contra criança e adolescente precisa ser tratado de diferentes formas, com diferentes ênfases, e transitando por diferentes áreas”, afirma a professora Elenice Novak.
O Proteca é ligado ao Departamento de Informática da UFPR, com coordenação da professora Elenice Novak, do mesmo departamento, e vice coordenação da professora Luciana Reichert Assunção Zanon, do Departamento de Odontologia.
A proposta do Proteca é analisar o problema do aliciamento de menores a partir de diferentes perspectivas. Com base nesses olhares, foram desenvolvidas estratégias de prevenção de forma lúdica, como jogos de tabuleiro que orientam crianças sobre como se proteger de abusos na internet.
Além disso, buscando ampliar o alcance da plataforma, a equipe também está desenvolvendo um jogo on-line. “Já temos a experiência, o formato, personagens e uma história contextualizada. Acredito que, até o final de 2026, teremos um avanço significativo para concluir esse jogo e disponibilizá-lo”, conclui Novak.
Além dos jogos educativos e informativos, são desenvolvidos materiais de apoio, palestras e divulgação para instituições que queiram trabalhar o tema da violência digital com menores. O próprio Proteca organiza rodas de conversa, com convidados de diferentes áreas, para informar a comunidade interna e externa da universidade sobre o comportamento diante dos abusos contra crianças e adolescentes. Foi também desenvolvido, ao longo de uma das atividades, um estudo de um protocolo de abordagem sobre abusos digitais para hospitais.

Outra iniciativa relevante do projeto foi o Observatório Proteca. Criado por meio de um edital do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e com duração limitada, o observatório se constituiu como um espaço inserido no ambiente acadêmico. Por meio dele, o projeto desenvolveu pesquisas e produziu materiais a partir de diversas áreas do conhecimento, todos voltados à compreensão e ao enfrentamento do abuso de menores no ambiente on-line.
“Nós precisávamos trabalhar com um núcleo que fizesse essa intersecção, esse compartilhamento de informações, trazendo, por exemplo, para o espaço acadêmico, grandes núcleos de elementos para pesquisa, grandes núcleos de elementos para desenvolvimento de estudos”, ressalta Novak.
Para o futuro, a intenção do projeto é realizar um seminário sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, ação que já foi realizada em 2024 e 2025. A realização está prevista para setembro de 2026.
Sobre o trabalho realizado junto à comunidade, Novak ressalta o papel de articulação feito no projeto. “É uma forma da gente dizer para a sociedade ‘estamos aqui trabalhando e gostaríamos de compartilhar aquilo que nós conhecemos com vocês’”.
Na última terça-feira (17), foi promulgada a lei nº 15.211/2025, chamada de ECA Digital. Ela amplia e adapta para as plataformas digitais e redes sociais os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Desta forma, trabalha com diretrizes para a prevenção de exploração e abuso sexual, violência física e psicológica no ambiente digital, disseminação de conteúdo prejudicial à saúde que induzam comportamentos nocivos e de risco, promoção e comercialização de produtos indevidos ou predatórios e a veiculação de conteúdo pornográfico.
“Em um cenário marcado pela intensa presença de crianças e adolescentes na internet, o ECA Digital reforça a centralidade da proteção integral e impõe responsabilidades não apenas ao Estado, mas também às empresas de tecnologia, às famílias, às escolas e à sociedade de forma geral”, afirma a professora de Direito e integrante do Proteca Ana Claudia Petroro.
Elenice também recomenda aos pais e responsáveis que sempre procurem profissionais da saúde em suspeita de casos de aliciamento e abusos digitais com menores. Ela afirma que a criança e o adolescente deixam sinais de que algo possa estar acontecendo com eles. A criança pode manifestar muita agitação, ou o oposto, ficar muito retraída, problemas de concentração na escola, de relacionamentos com colegas.
“Essa análise sobre comportamentos, tipo de comportamento e o que isso sinaliza, que pode ter esse relacionamento todo de novo com o processo de aliciamento ou em processo de aliciar, precisa ser verificado justamente por profissionais das áreas, para ter esse nível de certeza”, afirma.
Com a revolução tecnológica e o acesso a celulares e tablets, ficou cada vez mais comum o acesso de crianças e adolescentes a esses equipamentos, muitas vezes sem supervisão. Além do consumo de materiais impróprios para a idade e do vício em telas, as crianças e adolescentes também estão expostas a abusos on-line.
“As pessoas precisam ler sobre quais são as consequências cerebrais e de formação quando as crianças são submetidas a esse processo (de exposição) muito novas. E tem o lado físico, o lado psicológico. E a gente diz, tem o lado da violência também que é a segurança. Porque é um processo que começa muito precocemente a uma exposição”, conclui.
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