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75ª Reunião Anual da SBPC será acessível e inclusiva

Realizado de 23 a 29 de julho na UFPR, em Curitiba, o evento contará com intérpretes de libras, salas calmas, canal de atendimento (em português e em libras), além de monitores treinados para auxiliar as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida

A organização da 75ª edição da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) não mediu esforços para realizar um evento acessível e inclusivo. Rampas e elevadores facilitarão o trânsito dos participantes pelos espaços do evento. Além disso, todas as atividades contarão com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras). O evento também disponibilizará seis salas calmas, um canal de atendimento (em português e em libras) e mais de 100 monitores preparados para auxiliar quem necessitar.

Com o tema “Ciência e democracia para um Brasil justo e desenvolvido”, a 75ª Reunião Anual será realizada de 23 a 29 de julho no Campus Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.

Segundo Juliana Ferrari, técnica do Museu de Ciências Naturais da UFPR e integrante da Subcomissão de Acessibilidade do evento, a ideia é que todos os participantes se sintam confiantes para aproveitar ao máximo de toda a Reunião Anual, do começo ao fim. “Para isso, a nossa comissão conta com a participação de pessoas com diferentes deficiências, o que proporcionou uma percepção muito mais detalhista das barreiras que poderiam impedir ou dificultar a participação de outras pessoas com deficiência no evento”, afirma.

Ferrari conta que a subcomissão fez um extenso estudo prévio de manuais de acessibilidade em eventos para, enfim, determinar o que precisaria ser desenvolvido por cada comissão. “Por exemplo, para a comissão de infraestrutura, levamos as demandas depois de visitarmos o Centro Politécnico. Analisamos tudo, tanto a área externa, quanto banheiros e auditórios. Anotamos pontos críticos que deveriam ser melhorados/arrumados, como por exemplo, calçadas com buracos, falta de guias rebaixadas, barras soltas, portas sem chave e tampas de vasos sanitários soltas em banheiros acessíveis. São detalhes simples que fazem diferença. Normalmente passariam despercebidos por aqueles que não têm deficiência. Pensamos também nos palestrantes, afinal de contas, muitos são idosos, com mobilidade reduzida”, destacou Ferrari, que divide a coordenação dessas ações com Fátima Minetto, professora da UFPR.

Os cerca de 100 monitores estão sendo treinados para auxiliar os participantes desde a chegada ao evento. “Os visitantes entrarão no campus por uma única via. Os responsáveis pelo trânsito foram orientados a permitir que a pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida possa desembarcar num espaço mais seguro e mais perto da entrada da tenda da SBPC Jovem. Também vamos disponibilizar cadeiras de rodas e um carro dentro do evento para quem necessitar se locomover pelo campus, que é bem grande”, conta Ferrari.

Todas as informações estão disponíveis no site do evento (https://sbpc.ufpr.br/acessibilidade/) para quem quiser solicitar o serviço. Também haverá uma rota acessível traçada no Mapa do evento.

Para as pessoas com transtorno do espectro autista, a Subcomissão de Acessibilidade planejou duas ações para atendê-los. “Criamos seis ‘salas calmas’ (espaços silenciosos para pessoas neurodivergentes), caso precisem de tempo fora da agitação do evento. Somente um dos sete prédios onde vão acontecer as atividades não contará com o espaço por falta de sala adequada”, explica Fernanda de Almeida Santana, integrante da Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas (Abraça) e representante da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), instituição parceira. “Estamos finalizando uma narrativa visual, com fotos e linguagem fácil, explicando o que é o evento. A ideia é disponibilizar para as escolas que visitarão a SBPC Jovem.”

Outra marca histórica dessa edição é que a Reunião Anual contará com 40 intérpretes de Libras em cada turno, inclusive nas atividades culturais. “Nunca houve um evento desse porte com tanta acessibilidade, incluindo as atividades culturais na universidade. Serão mais de 1300 horas de tradução de forma simultânea”, comenta Ringo Bez, responsável pelos profissionais.

Ele ainda informa que o evento contará com um plantão de atendimento de acessibilidade, via Whatsapp, que terá um profissional de libras. “A pessoa pode chegar em algum espaço do campus e pedir o apoio do profissional. Vamos também fazer um atendimento de interpretação remota. A ideia é atender em todos os espaços e não só nas mesas-redondas e conferências, como de costume. Vamos ter profissionais na Sessão de Pôsteres, na ExpoT&C e SBPC Jovem. A ideia é integrar a programação completa.”

Outra novidade, conta Bez, é a produção de um documento que será entregue para os intérpretes, para eventos futuros de grande porte no contexto científico, acadêmico e cultural. “A ideia é nortear não só os participantes, mas toda a comunidade. Vamos mostrar como se relacionar com a presença de um intérprete de libras, como se posicionar, entonação de voz, etc. E até coisas simples, de como se direcionar à própria pessoa e não ao intérprete. A ideia é sensibilizar e ensinar. Vamos oferecer padrões de acessibilidade linguística que possam respeitar a declaração dos direitos linguísticos parar pessoas surdas”, explicou. “Com essa atitude, vamos valorizar as pessoas surdas dentro do ambiente acadêmico, como docentes, estudantes e a comunidade geral”, diz. Segundo ele, a UFPR tem, atualmente, dez professores surdos.

Para enfatizar a importância de todo esse movimento, a 75ª Reunião Anual realizará ainda a mesa-redonda “Acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência na educação e na divulgação científica”, no dia 26 de julho, das 13h00 às 15h30, no auditório 01 (Térreo) da Engenharia Química, que contará com participantes com deficiência. A atividade será coordenada por Fernanda Santana, da UTFPR, e contará com os palestrantes Décio Nascimento Guimarães, professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Luiz Henrique Magnani Xavier de Lima, professor adjunto da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), e o desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR).

Ao final do evento, Ferrari conta que a Subcomissão de Acessibilidade fará um balanço das ações e o manual desenvolvido será disponibilizado também para a SBPC. “A ideia é que as universidades que forem sediar os eventos futuros possam utilizá-los.”

Para mais informações: https://ra.sbpcnet.org.br/75RA/

Por Vivian Costa – Jornal da Ciência SBPC

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