Da Ciência à Experiência: Pós-Graduação e Extensão Fortalecem o Ensino das Exatas

22 abril, 2026
16:51
Por andredias

Entre prêmios e formação de qualidade, UFPR incentiva a educação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática

Por: Laura Chimka – bolsista de graduação PROEXT-PG | Viralume – Laboratório de Comunicação Pública da Ciência UFPR

Em meio às dinâmicas do cotidiano, práticas como descansar e se alimentar com atenção seguem sendo fundamentais para o bem-estar, embora o ritmo acelerado influencie a forma como as refeições são realizadas. Muitas vezes feito às pressas ou acompanhado por dispositivos eletrônicos, o ato de comer perde espaço como momento de pausa. Nesse contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a alimentação equilibrada como central para a saúde e a qualidade de vida.

A formação em áreas de exatas tem ganhado centralidade no Brasil, impulsionada pela demanda do mercado e os desafios educacionais relacionados ao ensino dessas disciplinas. Nesse contexto, a Pós-graduação e a Extensão universitária assumem papel estratégico ao articular formação e interação com a sociedade. 

Dados de um estudo realizado pela Fundação Carlos Chagas, com apoio do British Council, indicam que as matrículas no ensino superior brasileiro em áreas de exatas cresceu 34,8% na última década. As universidades federais acompanham esse movimento e ampliam sua atuação, com destaque para a formação de professores e o fortalecimento das licenciaturas e graduações. 

Diante desse cenário, cursos têm buscado atualizar suas práticas formativas para assegurar a permanência estudantil. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), iniciativas vinculadas aos Programas de Pós-graduação contribuem para esse processo ao articular pesquisa, extensão e práticas educacionais. Ampliam, dessa forma a qualidade do ensino e suya inserção na realidade social. 

Professora da UFPR amplia e inspira a presença de mulheres nas exatas


Em uma área marcada pela desigualdade de gênero, popularizar conquistas de cientistas mulheres estimula o interesse de novas gerações. Com isso, a Pós-graduação da UFPR fortalece seu compromisso com a equidade feminina na ciência através de projetos de extensão, suporte a docentes e discentes que atuam na área. 

Um levantamento do Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, observou redução de mulheres que concluem cursos nas áreas de ciências, tecnologia, engenharias e matemática (STEM) no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 2025, indicam que essa tendência se intensificou no período pós-pandemia. 

Frente a esse quadro, a visibilidade de trajetórias femininas nesses espaços impulsiona as próximas gerações de meninas na área das exatas. A professora Dra. Rita de Cássia dos Anjos, do departamento de Engenharia e Exatas do Setor Palotina, exemplifica esse impacto e confirma a importância dessa representatividade ao longo de sua trajetória: 

“Quando alguém olha para a minha história, espero que perceba que a formação científica é também uma forma de ampliar horizontes. A ciência me permitiu sair de um contexto local e participar de colaborações, projetos e discussões globais, sem que eu precisasse abrir mão da minha identidade ou do compromisso com o lugar de onde vim.” 



A trajetória de Rita, que desde 2014 é professora da UFPR no Setor Palotina, é amplamente reconhecida por premiações nacionais e internacionais: 

    • 2017 – Fulbright Junior Faculty Member Award
    • 2018 – Bolsa de Produtividade em Pesquisa, CNPq 
    • 2020 – Prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência 
    • 2021 – Membro Afiliado da Academia Brasileira de Ciências 
    • 2021 – Voto de Congratulação, Câmara Municipal de São José do Rio Preto 
    • 2022 – Coimbra Group Latin America Scholarship Programme, Grupo Coimbra
    • 2022–2028 – Regular Associate Programme, ICTP – International Centre for Theoretical Physics
    • 2023 – Prêmio Anselmo Salles Paschoa, Sociedade Brasileira de Física
    • 2023 – Homenagem Pesquisadora Destaque, Universidade Federal do Paraná 
    • 2024 – Prêmio Carolina Nemes, Sociedade Brasileira de Física 
    • 2025 – STEM Ambassador Recognition Award 2024–2025, União Astronômica Internacional (IAU) – Representante de minorias na promoção do equilíbrio de gênero
    • 2026 – Prêmio Mulheres e Ciência do CNPq na categoria “Estímulo” 


    Sobre o papel dessas conquistas na visibilidade da ciência, a docente destaca: 

    “O trabalho científico no Brasil é pouco visível para a sociedade, e isso se torna ainda mais evidente quando falamos de mulheres negras na Física. Por isso, cada prêmio ou homenagem tem também um efeito de comunicação pública da ciência. Esse tipo de visibilidade pode inspirar novas gerações porque oferece exemplos concretos.”



    Rita também foi homenageada no livro de passatempos “Cientistas Negras: Brasileiras – Volume 1”, do projeto de extensão Meninas e Mulheres nas Ciências (MMC). Com essa iniciativa, o MMC apresenta pesquisadoras e trajetórias diversas, ampliando a narrativa sobre quem faz ciência e sobre o que significa ser cientista. 

    “Ações como essa cumprem exatamente esse papel porque tornam a ciência mais próxima, mais diversa e mais convidativa. O interesse de jovens pelas áreas de exatas não nasce apenas da sala de aula formal, ele também é construído por meio da referência.” 

    A combinação de reconhecimento acadêmico e ações de extensão amplia o alcance da ciência e fortalece a participação feminina na área de exatas. A trajetória de Rita de Cássia dos Anjos evidencia como referências podem fortalecer o interesse de novas gerações e contribuem para formação mais diversa e representativa. 

    Óptica Student Chapter aproxima a física do cotidiano de forma acessível e interativa


    Nos últimos anos, os avanços em óptica e fotônica têm impulsionado áreas estratégicas como astronomia, medicina e agronegócio. Iniciativas como o Óptica Student Chapter acompanham esse movimento ao promover a difusão do conhecimento e o ensino de física na comunidade acadêmica e na sociedade.

    Coordenado pelo professor Emerson Cristiano Barbano, do Programa de Pós-Graduação em Física, o Óptica Student Chapter atua desde 2024 promovendo eventos, oficinas e conteúdos de divulgação científica que buscam conectar estudantes, professores e demais interessados em ciência.



    Barbano afirma que “no UFPR Óptica Student Chapter, os alunos têm contato com esse universo por meio da organização de eventos científicos, produção de conteúdo de divulgação e interação com pesquisadores e profissionais da área.”



    O projeto apresenta aplicações da óptica em diferentes contextos, evidenciando sua presença no cotidiano e sua relevância em áreas estratégicas. Ao mesmo tempo, promove o contato direto com práticas científicas e contribui para o desenvolvimento do pensamento científico entre participantes e público. De acordo com o coordenador: 

     “A ideia é mostrar que a Física, com maior ênfase na óptica, está presente no cotidiano: na natureza, nos filmes e nas diversas tecnologias que utilizamos. Ao apresentar esses temas de forma acessível e visual, buscamos despertar a curiosidade científica e mostrar aos estudantes que a ciência é uma atividade divertida, feita por pessoas reais e diversas.” 



    Esse contato do público com o projeto contribui para ampliar a compreensão sobre a importância da ciência e o papel das universidades, além de incentivar jovens a considerar carreiras nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). 


    FiBrA reinventa o modo de ensinar física conectando teoria e prática


    O projeto de extensão Física Brincando e Aprendendo (FiBrA) atua desde 1998 aproximando alunos do ensino básico e médio com experimentos da física. Entre as suas atividades, o projeto incentiva a curiosidade e promove o aprendizado a partir da prática.

    Coordenado pelo professor Igor Konieczniak, do Departamento de Física, o projeto desenvolve ações voltadas à comunidade escolar por meio de demonstrações experimentais e atividades interativas.

    O impacto do projeto se manifesta, sobretudo, ao despertar da curiosidade de estudantes sobre como o universo funciona e o que pode ser feito com esse conhecimento. O trabalho desenvolvido também busca desconstruir estigmas, especialmente a ideia de que a Física é uma área desinteressante. Os experimentos e demonstrações desempenham papel central nesse processo, pois reduzem a necessidade de abstração ao trazer os fenômenos para o campo da observação direta. Como indica Igor:

    “Que as ciências exatas são “difíceis”, todos aprendemos ou ouvimos falar muito cedo, mas o aspecto fantástico da ciência e do universo muitas vezes é desconhecido. As áreas de estudo de exatas possuem uma capacidade enorme de empoderamento da mente jovem que, quando se dedica a estes assuntos, pode alcançar resultados e compreensões inéditos para nossa sociedade.” 

    O projeto adota linguagem acessível e menos formal, o que rompe com o modelo tradicional de sala de aula. Os monitores são incentivados a adotar postura leve e bem-humorada, utilizando brincadeiras e narrativas como forma de humanizar a ciência e aproximar das pessoas.

    “Temos a nosso favor o fato de que existem muitos fenômenos interessantes que a Física estuda e que podem ser apresentados ou com experimentos de fato, ou com demonstrações. Somado a isso, o desinteresse, muitas vezes, é apenas a falta de uma perspectiva um pouco mais curiosa.” 

    As ações do FiBra ampliam o acesso à física ao transformar conceitos em experiências observáveis e estimular o interesse de pessoas pela ciência. 

    Pós-graduação e extensão ampliam o acesso e fortalecem a formação nas exatas


    O incentivo às áreas de STEM é fundamental para o desenvolvimento social, econômico e científico. Investindo nesse campo, a universidade contribui para a formação de profissionais qualificados e o desenvolvimento de habilidades como pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas. 

    Projetos educacionais e ações de divulgação científica ampliam o acesso a essas áreas e aproximam estudantes da prática científica. Essas iniciativas contribuem para reduzir barreiras de entrada, ampliar a diversidade e fortalecer a formação de futuros cientistas.