Projetos de extensão da UFPR transformam produção científica em ações de divulgação, educação e promoção da saúde.
Por: Laura Chimka – bolsista de graduação PROEXT-PG | Viralume – Laboratório de Comunicação Pública da Ciência UFPR
Em meio à circulação cada vez maior de informações sobre saúde, a divulgação científica se torna uma ferramenta essencial para aproximar a sociedade do conhecimento produzido nas universidades. A comunicação da ciência contribui para tornar informações especializadas acessíveis, permitindo que a população compreenda questões presentes no cotidiano e tenha melhores condições para tomar decisões conscientes sobre a própria saúde
Nesse contexto, projetos de extensão da UFPR levam o conhecimento científico produzido na Universidade para mais perto da comunidade, ampliando o acesso à informação qualificada e contribuindo para enfrentar a desinformação em saúde. É o caso dos projetos extensionistas Boca Aberta e Laboratório de Práticas em Alimentação Coletiva e Segurança de Alimentos, iniciativas vinculadas a programas de pós-graduação da Universidade que aproximam a produção acadêmica das demandas da população.
Boca aberta promove conhecimento sobre odontologia hospitalar
Vinculado ao Departamento de Estomatologia da UFPR, o Boca Aberta atua na promoção da saúde bucal de pacientes internados e na divulgação da importância da odontologia hospitalar, especialmente no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade como dependentes químicos, alcoólicos ou com psicopatologias.
Coordenado pelo professor Antonio Adilson Soares de Lima, do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, o projeto de extensão mantém parcerias com hospitais e instituições de saúde de Curitiba e região metropolitana. As ações oferecem atendimento odontológico a pacientes internados e permitem que estudantes voluntários acompanhem a rotina de equipes multidisciplinares.
A experiência proporciona aos alunos contato com atendimentos de maior complexidade e amplia sua formação prática em odontologia hospitalar.

Equipe de voluntários em saída de campo. Foto: equipe Boca Aberta
Com a entrada de uma nova turma de voluntários, em julho de 2026, o projeto passou a contar com estudantes interessados em aprofundar a formação em odontologia hospitalar. Segundo o coordenador, parte desse interesse está relacionado ao atendimento e manejo de pacientes, especialmente aqueles com transtornos mentais.
“Como a maioria dos participantes ainda são do ciclo básico do curso de odontologia e ainda não tiveram aulas práticas em clínicas, eles vêm motivados a auxiliar nos procedimentos clínicos que são realizados no consultório do hospital. Aqueles alunos com mais experiência, procuram praticar os conteúdos aprendidos durante o atendimento clínico dos pacientes. Além disso, eles também procuram uma oportunidade para apresentar os casos dos pacientes que foram atendidos nos eventos científicos.”

Equipe de voluntários em saída de campo. Foto: equipe Boca Aberta
Além das atividades em hospitais e clínicas, o Boca Aberta mantém parceria com os Amigos do HC em ações realizadas nas ruas. A iniciativa amplia a divulgação de informações sobre saúde bucal e incentiva práticas de autocuidado para a população.
“A odontologia hospitalar ainda é uma especialidade nova da odontologia e, por isso, ainda pouco conhecida. Todas as ações do projeto são fundamentais para divulgar a importância do trabalho dos cirurgiões-dentistas nos hospitais e fazer a promoção de saúde desses pacientes que vivem em situação de vulnerabilidade à várias doenças da boca.”
Segundo o professor Antônio, o projeto prevê planos para aumentar a divulgação de conteúdos relevantes nas redes sociais, no podcast dos Amigos do HC e em campanhas promovidas sobre o câncer de boca nas clínicas e hospitais parceiros.

Equipe de voluntários em saída de campo. Foto: equipe Boca Aberta
Ciência e extensão em favor de uma alimentação mais segura
O Laboratório de Práticas em Alimentação Coletiva e Segurança de Alimentos promove ações de formação e divulgação científica voltadas aos cuidados com a manipulação de alimentos. As atividades são destinadas a estudantes de Nutrição e ao público externo da UFPR, aproximando a comunidade de conhecimentos relacionados à alimentação coletiva e à segurança dos alimentos.
Atualmente coordenado pelas professoras Paula Piekarski Barchik, coorientadora no Programa de Pós-Graduação em Alimentação e Nutrição, e Lize Stangarlin Fiori, do Programa de Pós-Graduação em Segurança Alimentar e Nutrição, o projeto busca ampliar o acesso a informações que contribuam para práticas mais seguras na manipulação e preparo de alimentos.
Por meio das ações de extensão, o Laboratório estabelece uma relação entre a formação acadêmica e as demandas da comunidade, permitindo que conhecimentos produzidos na Universidade circulem para além do ambiente acadêmico.

Voluntários do projeto Oficina em parceria com o CECANE-PR. Foto: equipe LAACS
Para ampliar o alcance das ações de divulgação científica, o projeto também produz materiais voltados à comunidade. Uma delas é a cartilha Guia de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, elaborada com recurso PROEX-PG CAPES. A publicação reúne orientações sobre manipulação adequada de alimentos e cuidados com a higiene pessoal e ambiental, oferecendo informações acessíveis para profissionais e demais pessoas interessadas no tema.
O Laboratório também amplia suas ações de divulgação científica por meio da produção de conteúdos e da oferta de cursos sobre boas práticas. Outra frente são os eventos de extensão realizados de forma remota, que recebem nutricionistas convidados para compartilhar experiências profissionais relacionadas à alimentação coletiva e à segurança dos alimentos. A edição mais recente reuniu 90 participantes.

Voluntários e integrantes do curso de Boas Práticas. Foto: equipe LAACS
As atividades ampliam a autonomia dos estudantes extensionistas, que participam da concepção e da condução das iniciativas desenvolvidas pelo projeto. Segundo Paula Piekarski Barchik, essa participação coloca os alunos em posição ativa no desenvolvimento das ações de extensão.
“Acredito que os alunos buscam o projeto por se interessarem pela área de Alimentação Coletiva e por todas essas vivências que o projeto proporciona. A aproximação com atores centrais da alimentação coletiva, como nutricionistas, gestores e manipuladores de alimentos, dá sentido prático ao conteúdo visto em sala de aula e enriquece a formação das alunas.”
Em 2026, o projeto passou a se chamar Laboratório de Práticas em Alimentação Coletiva e Segurança de Alimentos, substituindo o antigo nome Liga Acadêmica de Alimentação Coletiva e Segurança dos Alimentos (LAACS). A mudança não alterou o propósito da iniciativa, que mantém o foco na formação de estudantes e promoção da segurança dos alimentos. Para além da formação acadêmica, o projeto contribui para que os estudantes reconheçam seu papel na transformação social e para que a comunidade tenha acesso a informações que favoreçam uma alimentação mais segura e de qualidade.
De acordo com a coordenação, o projeto “atua na promoção da saúde e na conscientização sobre a importância da segurança dos alimentos em todas as etapas de manipulação, contribuindo para a adoção de práticas mais seguras e para a aproximação entre conhecimento científico e comunidade”. O projeto evidencia como a extensão pode ampliar o alcance do conhecimento produzido pela pós-graduação e fortalecer sua relação com a comunidade.
Pós-graduação fortalece divulgação científica e promoção da saúde
Ao reunir formação acadêmica e atuação junto à sociedade, essas experiências mostram que o impacto da pós-graduação também pode ser percebido fora dos espaços de pesquisa. A ciência ganha alcance quando encontra demandas concretas e passa a fazer parte das escolhas e dos cuidados que atravessam a vida cotidiana.