As ações de pesquisa e apoio técnico na construção de políticas públicas são algumas das ações realizadas pelo laboratório
Por Viralume – Laboratório de Comunicação Pública da Ciência
No mês de junho, o planeta celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), uma data que convida à reflexão sobre o futuro dos nossos ecossistemas em um cenário global marcado por crises climáticas e perda da biodiversidade. Contudo, muito além do debate teórico, a verdadeira mudança estrutural acontece no cotidiano dos laboratórios de pesquisa. São nesses espaços que a ciência de ponta traduz dados complexos em ações práticas de conservação, antecipando cenários e mitigando impactos ambientais severos.
Um dos maiores exemplos desse protagonismo no Sul do Brasil vem do Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb), vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR). Consolidado como um polo estratégico de inovação tecnológica aplicada à gestão territorial sustentável, o laboratório completa 20 anos em 2026 como um dos maiores exemplos de como traduzir dados complexos em ações práticas de conservação.
Ao unir a precisão da inteligência geográfica — como o sensoriamento remoto, o mapeamento via satélite e a análise de dados espaciais — à sensibilidade das demandas sociais, os pesquisadores explicaram que o laboratório ultrapassa os muros da academia. Sua atuação atinge diretamente a linha de frente da proteção de biomas negligenciados, a gestão eficiente de unidades de conservação e o suporte técnico para a formulação de políticas públicas essenciais. Dessa forma, o Lageamb demonstra que a tecnologia geoespacial não é apenas uma ferramenta de diagnóstico, mas um instrumento indispensável para garantir a resiliência ambiental e a justiça social no manejo dos recursos naturais.
Foi mostrado que, para isso, o laboratório utiliza o que há de mais moderno em geotecnologias: frota de Remotely Piloted Aircraft System (RPAS) — os populares drones — e receptores GNSS de alta precisão para mapear áreas degradadas, monitorar o uso do solo e prever impactos ambientais com margens de erro milimétricas.
Em 2026, foi criado o Grupo de Trabalho (GT) dos Drones. “A nossa proposta foi estruturar um grupo de trabalho voltado à regulamentação e profissionalização das atividades desenvolvidas no âmbito do Lageamb, buscando garantir maior rigor técnico, científico e operacional. Além da criação de procedimentos internos relacionados à regulamentação das atividades, organização operacional, gestão de agendas e de equipamentos para diferentes projetos, o grupo tem o foco principal em pesquisa e desenvolvimento”, explicou a geógrafa Marianne Oliveira, que integra a equipe técnica do Lageamb. “A proposta é consolidar metodologias, desenvolver pesquisas e ampliar as aplicações técnicas para diferentes finalidades, fortalecendo tanto a produção científica quanto a capacidade operacional do laboratório. Nosso objetivo é garantir a geração de produtos que atendam ao padrão de qualidade, promovendo soluções mais assertivas, confiáveis e tecnicamente fundamentadas para atender às demandas e necessidades dos órgãos parceiros”, completa.
O coordenador-geral do Lageamb, Eduardo Vedor, afirma que a utilização de drones no laboratório acontece desde 2019 e, atualmente, é a base de praticamente todos os projetos atualmente, dando subsídio ao levantamento de dados acerca de temas como: monitoramento ambiental e territorial, georreferenciamento/mapeamento de imóveis rurais, análises de ameaças e riscos climáticos, conservação da natureza, mapeamento de comunidades e diagnóstico fundiário, entre outros. “Com esse tipo de equipamento, a gente consegue diminuir muito o tempo de levantamento de dados; reduzir para menos de uma semana um mapeamento que levaria um mês. Gerando informações 3D, por exemplo, em uma das bandas obtemos a cobertura da vegetação; em outra banda, a superfície terrestre. Assim, é possível processar e estimar o volume de biomassa, de vegetação que uma determinada área de estudo tem”, enfatiza.
Na prática, essas ferramentas dão suporte a projetos cruciais do laboratório, como o diagnóstico geoambiental de bacias hidrográficas paranaenses, o monitoramento da dinâmica da cobertura vegetal e do desmatamento na Mata Atlântica, e a elaboração de estudos de vulnerabilidade ambiental e zoneamento ecológico-econômico.
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