A Universidade Federal do Paraná sediou, nos dias 10 e 11 de setembro, o I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola da Região Sul. Com o tema “Entre territórios e saberes: desafios e caminhos da educação escolar quilombola no Sul do Brasil”.
O encontro reuniu representantes das comunidades quilombolas do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, professores, alunos e pesquisadores da nossa universidade, além de representantes do Ministério da Educação.
Ao longo dos dois dias, diferentes perspectivas estiveram presentes nas discussões sobre educação, território, identidade, cultura e conhecimentos tradicionais. O encontro também colocou em evidência a importância da participação das comunidades na construção dos processos educativos relacionados à educação escolar quilombola.





Para a vice-reitora da UFPR, Camila Girardi Fachin, o papel das universidades públicas passa pelo reconhecimento dos diferentes saberes e pela construção conjunta do conhecimento.
“As universidades públicas federais têm um papel muito importante nessa questão da inclusão dos diferentes saberes, inclusive o saber quilombola. É importante destacar que o nosso papel aqui na universidade não é fazer educação para os quilombolas, é fazer educação com os quilombolas” aponta.
A participação quilombola também está presente na pesquisa desenvolvida na UFPR. A universidade conta com núcleos e polos de pesquisa relacionados à temática e tem estudantes quilombolas em programas de pós-graduação. Para a vice-reitora, essa presença contribui para que as comunidades participem não apenas como objeto de estudo, mas como parte da produção do conhecimento.
“É muito importante essa participação, porque é aquele conceito de ‘nada sobre nós sem nós, que o quilombola seja um participante ativo desse processo educacional”, destaca a vice-reitora.
A atuação da UFPR com a população quilombola também envolve o trabalho da Coordenadoria de Políticas para Pessoas Indígenas, Negras e Quilombolas (CPPINQ), vinculada à Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Equidade (Proafe).
De acordo com Romilda Aparecida da Silva, da CPPINQ, um dos desafios está na identificação da presença quilombola nos diferentes níveis de escolarização e também dentro da própria Universidade. Segundo ela, os dados disponíveis nem sempre permitem visualizar toda essa realidade.
“Essa assimetria de dados nos leva a refletir e problematizar a importância da identificação dessas pessoas na escolarização como um todo”, afirma.
Na UFPR, o projeto TED Quilombo trabalha na construção de uma cartografia da população quilombola no Paraná, considerando aspectos relacionados à população, aos territórios e à formação. A iniciativa também integra um movimento de maior conhecimento sobre quem são as pessoas quilombolas presentes na Universidade e quais territórios estão representados.
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