{"id":11692,"date":"2026-06-30T14:21:54","date_gmt":"2026-06-30T17:21:54","guid":{"rendered":"https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/?p=11692"},"modified":"2026-07-01T21:48:40","modified_gmt":"2026-07-02T00:48:40","slug":"iyguna-dalzira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/iyguna-dalzira\/","title":{"rendered":"Iyagun\u00e3 Dalzira"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover alignfull wp-duotone-unset-1\" style=\"margin-top:0;padding-top:48px;padding-right:48px;padding-bottom:48px;padding-left:48px;min-height:70vh;aspect-ratio:unset;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-11760 size-large\" alt=\"\" src=\"https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-1024x683.jpg\" style=\"object-position:10% 52%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"10% 52%\" srcset=\"https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-300x200.jpg 300w, https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-768x512.jpg 768w, https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-205x137.jpg 205w, https:\/\/ufpr.br\/museus\/mafropr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/06\/HU5A0492-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim-0 has-background-dim\" style=\"background-color:#867266\"><\/span><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-left is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-0b562c1c wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div style=\"height:300px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-left has-white-color has-text-color\" style=\"font-size:clamp(50.171px, 3.136rem + ((1vw - 3.2px) * 3.893), 100px);font-style:normal;font-weight:700;letter-spacing:0px;line-height:1;text-transform:uppercase\">Iygun\u00e3 dalzira<\/h2>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-e03e50b2 wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"pposte\">Yagun\u00e3 Dalzira Maria Aparecida nasceu em 17 de julho de 1941, na cidade de Guaxup\u00e9, em Minas Gerais, sua m\u00e3e trabalhava como dom\u00e9stica, e seu pai ferrovi\u00e1rio, por\u00e9m, depois virou lavrador. Desde sempre, sua vida foi marcada por mudan\u00e7as de lugar, trabalho no campo e novas realidades. Ainda pequena se mudou com a fam\u00edlia para o interior de S\u00e3o Paulo e depois para o norte do Paran\u00e1, acompanhando o ciclo do caf\u00e9, entre 1950 \u00e0 1960, que foi muito importante para a economia, especialmente para fam\u00edlias negras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">A experi\u00eancia de crescer em uma fam\u00edlia de meeiros (trabalhadores que dividem a produ\u00e7\u00e3o com o dono da terra) em Centen\u00e1rio do Sul foi muito marcante para a forma\u00e7\u00e3o de Yagun\u00e3. Apesar da esperan\u00e7a de melhorar de vida, dificuldades financeiras e d\u00edvidas levaram \u00e0 perda das terras no final dos anos 1960. Isso fez com que a fam\u00edlia sa\u00edsse do campo e se mudasse definitivamente para Curitiba, em 1970, durante o per\u00edodo da ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">Em Curitiba, Yagun\u00e3 morou no Bairro Alto, que na \u00e9poca tinha pouca infraestrutura, mas uma forte conviv\u00eancia comunit\u00e1ria. Foi nesse ambiente que ela construiu redes de apoio importantes em sua vida, principalmente para sua atua\u00e7\u00e3o no movimento negro, na religi\u00e3o e na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">No final dos anos 1970, mesmo com a repress\u00e3o pol\u00edtica, Yagun\u00e3 come\u00e7ou sua milit\u00e2ncia no movimento negro, participando do GRUCON (Grupo de Uni\u00e3o e Consci\u00eancia Negra). Sua atua\u00e7\u00e3o surgiu das viv\u00eancias de racismo e da falta de reconhecimento da popula\u00e7\u00e3o negra na hist\u00f3ria da cidade. Mesmo sem uma forma\u00e7\u00e3o escolar completa, ela tinha um forte senso de responsabilidade coletiva. Sua trajet\u00f3ria na educa\u00e7\u00e3o foi marcada por pausas e muito esfor\u00e7o, ela completou seus estudos por meio da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA), nos anos 1990. A import\u00e2ncia do estudo em sua vida foi muito refor\u00e7ada por sua m\u00e3e, que costumava dizer: \u201cUm analfabeto \u00e9 um cego\u201d, e foi essa frase que motivou Yagun\u00e3 a buscar o conhecimento ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">Em 1986, iniciou-se no Candombl\u00e9, em um momento de busca por identidade e espiritualidade. Para ela, a religi\u00e3o foi uma forma de reconex\u00e3o com a ancestralidade africana, rompida pela escravid\u00e3o. Ao refletir sobre, Yagun\u00e3 afirma: \u201cA inicia\u00e7\u00e3o representa um ganho para quem se perdeu no tr\u00e1fico negreiro, em que n\u00e3o se podia sequer pensar ou lembrar-se do local de origem, se quisesse continuar vivo\u201d (Entrevista MAFRO, 2025). A religiosidade aparece, ent\u00e3o, como forma de recomposi\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e pol\u00edtica da identidade negra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">O aprofundamento na vida religiosa levou a posi\u00e7\u00e3o de sua lideran\u00e7a como Iyalorix\u00e1. Em 1993, recebeu o Dek\u00e1 e, em 1994, fundou o Il\u00ea As\u00e9 Ojubo \u00d2g\u00fan \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Cultural Omo Ay\u00ea, na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba. O terreiro passou a ser um espa\u00e7o de pr\u00e1tica religiosa, acolhimento e transmiss\u00e3o de saberes, especialmente em um contexto de preconceito contra religi\u00f5es de matriz africana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">Sua atua\u00e7\u00e3o religiosa sempre esteve ligada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 pol\u00edtica. O terreiro funciona tamb\u00e9m como um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o, combate ao racismo religioso e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra. A oralidade \u00e9 central nesse processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">A partir dos anos 2000, Yagun\u00e3 come\u00e7ou a aproximar os saberes tradicionais do meio acad\u00eamico. Em 2003, aos 63 anos, entrou na faculdade, desafiando padr\u00f5es sobre idade e educa\u00e7\u00e3o. Depois, fez mestrado na Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1, pesquisando a rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o, natureza e tecnologia. Mesmo estudando tecnologia, ela defende limites no uso da internet dentro das pr\u00e1ticas religiosas. Para ela, nem tudo deve ser exposto. Em entrevista ao MAFRO, Yagun\u00e3 sintetiza essa posi\u00e7\u00e3o ao afirmar: \u201cO uso da internet nos terreiros \u00e9 inevit\u00e1vel, mas no espa\u00e7o p\u00fablico, n\u00e3o no privado. O p\u00fablico \u00e9 para o p\u00fablico, o privado para o privado\u201d (Entrevista MAFRO, 2025). A diferen\u00e7a entre o que pode circular e o que deve ser privado aparece como princ\u00edpio fundamental para a preserva\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">Sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica continuou at\u00e9 o doutorado em Educa\u00e7\u00e3o, conclu\u00eddo j\u00e1 em idade avan\u00e7ada. Sua pesquisa questiona a ideia de que apenas o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 v\u00e1lido, defendendo o respeito e a valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pposte\">Ao longo de mais de 50 anos em Curitiba, Yagun\u00e3 construiu uma trajet\u00f3ria marcada por migra\u00e7\u00e3o, trabalho, milit\u00e2ncia, religiosidade e educa\u00e7\u00e3o. Sua hist\u00f3ria mostra como mulheres negras tiveram (e t\u00eam) um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o da cidade, mesmo muitas vezes sendo invisibilizadas.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignfull\" style=\"margin-top:0;padding-top:5vw;padding-right:5vw;padding-bottom:5vw;padding-left:5vw\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim-100 has-background-dim\" style=\"background-color:#1a1a1a\"><\/span><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-feca8edff9e4ff4cb7d393abcbc37039\" style=\"text-transform:uppercase\">V\u00eddeos relacionados<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube videows wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Griot Iyagun\u00e3 Dalzira\" width=\"1290\" height=\"726\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zPXqbmQvLhk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yagun\u00e3 Dalzira Maria Aparecida \u00e9 Iyalorix\u00e1, militante do movimento negro e pesquisadora. Nascida em 1941, viveu o trabalho rural no norte do Paran\u00e1, migrou para Curitiba em 1970 e construiu uma trajet\u00f3ria marcada pela religiosidade afro-brasileira, pela retomada dos estudos ao longo da vida e pela luta contra o racismo religioso. 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