Livros da prova específica de Música apresentam bases teóricas para ingresso na graduação

29 julho, 2026
17:20
Por Luana Lopes
Extensão e Cultura

Portal UFPR publica série “Leituras que formam”, sobre processo de escolha das leituras obrigatórias do Vestibular 2027 e importância das obras para a formação dos estudantes. Lista do processo seletivo específico de Música é tema da última reportagem 

Diferentemente da maioria dos cursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o vestibular para Música conta com um processo seletivo próprio. Além das provas de conhecimentos gerais e de compreensão e produção de textos, são realizadas duas provas, teórica e prática, que avaliam habilidades específicas necessárias para o curso. 

A prova teórica é composta por 16 questões objetivas, que trazem conteúdos sobre percepção musical, teoria musical básica e conhecimentos gerais de história da música ocidental e brasileira. Por isso, o programa de prova traz uma lista de obras de referência, que tratam de assuntos que serão cobrados na avaliação e ao longo da graduação. 

Essa lista conta com nove títulos que incluem temas fundamentais para a graduação, como teoria, leitura de partituras, percepção auditiva e solfejo. O professor Francisco Gonçalves de Azevedo, do Departamento de Artes da UFPR, explica que as obras fazem parte do vestibular porque os calouros já precisam ter algum conhecimento básico desses conteúdos para que possam acompanhar as disciplinas do currículo.  

“Nós fazemos uma seleção de livros que são bastante acessíveis para os candidatos, para que eles consigam fazer uma preparação básica e entender o que vão encontrar quando entrarem no curso”, afirma. 

A lista de Música do Vestibular 2027 da UFPR não sofreu nenhuma alteração em relação ao ano anterior. As mudanças não são tão recorrentes, de acordo com o docente, porque os livros funcionam como referências para o estudo de conteúdos básicos, e não como objeto direto das questões da prova. Assim, a bibliografia só é atualizada quando surge um material considerado melhor para o estudo dos candidatos.  

“Nós não elaboramos questões sobre pontos específicos da obra, mas sobre os conteúdos que ela apresenta de forma mais ampla. Por isso, não há necessidade de atualizar a lista com frequência”, diz. 

Formação musical é base para a graduação 

A seleção específica da prova de Música do Vestibular da UFPR foi instituída como forma de diminuir a evasão do curso, segundo Azevedo. Em anos em que não havia avaliação específica, muitos estudantes ingressavam sem a preparação necessária e acabavam desistindo da faculdade ainda no primeiro semestre.  

“Muita gente não entende o que seria um curso de graduação em Música, e antigamente alguns alunos entravam despreparados”, conta. “Pretendemos sempre avaliar se eles têm um conhecimento básico na Música, porque apesar da lei exigir o ensino da disciplina nas escolas, o conhecimento necessário para ingressar em um bacharelado ou licenciatura é um pouco maior do que o que a grande maioria das escolas cumpre”

O ensino de Música na educação básica faz parte das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na disciplina de Artes, desde a educação infantil até o ensino médio. Nesse percurso, os estudantes deveriam aprender determinados conteúdos e desenvolver algumas habilidades.  

Nos anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, o documento determina que o aluno deve perceber e explorar elementos constitutivos da música (como altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de jogos, brincadeiras e canções. Já nos anos finais, a BNCC inclui como habilidade do estudante “identificar diferentes estilos musicais no tempo e no espaço e reconhecer o papel de músicos e grupos que contribuíram para o desenvolvimento de gêneros”. 

Azevedo destaca que algumas escolas têm os recursos para oferecer esses conhecimentos, enquanto outras não. Para o docente, assim como ocorre com outras disciplinas, a Música é parte da formação humana, o que justifica sua importância enquanto conteúdo na educação básica. 

“Assim como é super importante que os alunos tenham contato com a  Literatura e a Sociologia, por exemplo, também é importante que eles tenham contato com a Música”, afirma. “A Música não só é uma arte ou um objeto de fruição, de prazer, de diversão. É uma disciplina que também pode desenvolver conhecimentos e questões de lógica e sensibilidade”

A prova prática 

Além da prova objetiva específica, o processo seletivo para o curso de Música da UFPR conta com uma prova prática. Os candidatos devem tocar uma peça de confronto, que é um repertório ou partitura obrigatória usada para avaliar e comparar candidatos. As peças são definidas pela banca e organizadas de acordo com o instrumento escolhido pelo candidato: piano erudito, piano popular, violão, guitarra elétrica, contrabaixo elétrico, violino, viola, violoncelo, contrabaixo acústico, flauta doce, flauta transversa, clarineta, saxofone, trompete, trombone, acordeão, bateria e percussão. 

“Adotamos o procedimento de fazer essa prova por vídeo desde a pandemia. É uma coisa que tem dado muito certo, porque ajuda a deixar o aluno mais tranquilo, menos nervoso em frente a uma banca”, conta Francisco Azevedo. 

Além da peça de confronto, a prova também determina o envio de um solfejo, que é a leitura cantada e ritmada de uma partitura, e de uma peça de livre escolha. De acordo com o docente, nesta última os candidatos são livres para tocar algo que está dentro do seu repertório. 

O solfejo e as partituras por instrumento musical para a prova prática de música, bem como o programa de prova, são divulgados na página do Vestibular da UFPR, no site do Núcleo de Concursos. 

Vela a lista das obras de referência da prova teórica de Música da UFPR 

  • BENNETT, Roy. Elementos básicos da música. Rio de Janeiro: Zahar, 1990.  
  • BENNETT, Roy. Forma e estrutura na música. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.  
  • BENNETT, Roy. Uma breve história da música. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.  
  • EDLUND, L. Modus Vetus. Nova Iorque: Chester Music, 1994.  
  • LEMOINE, E.; CARULLI, G. Solfeo de los solfeos. Volume 1A. Editapsol.  
  • MED, Bohumil. Teoria da Música. Brasília: Musimed, 1996.  
  • POZZOLI, H. Guia teórico-prático para o ensino do ditado musical. Partes I e II. São Paulo: Ricordi do Brasil.  
  • SEVERIANO, J. Terceiro tempo: a transição (1946–1957) e Quarto tempo: a modernização (1958–). Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Editora 34, 2013. p. 273–462.  
  • WISNIK, José Miguel. Som, ruído e silêncio. O som e o sentido. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 15–68. 

Sugestões

14 agosto, 2026

Referência internacional em climatologia, professora do Departamento de Física da UFPR falou com a Ciência UFPR sobre a […]

11 agosto, 2026

Após cuidados intensivos, nove animais voltarão ao mar durante ação de soltura educativa do PMP-BS/LEC-UFPR no litoral paranaense  […]

10 agosto, 2026

Toledo e Palotina recebem apresentações no dia 14 de agosto  Na próxima sexta-feira (14), o Coro da Universidade […]

05 agosto, 2026

Maior hospital público do Paraná é referência no atendimento aos pacientes e no ensino de estudantes da área […]