Conversa fez parte de uma série de ações promovidas nesta semana pela PROAFE, com foco no combate ao racismo institucional
A Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio da Pró-reitoria de Ações Afirmativas e Equidades (PROAFE), realizou nesta sexta-feira (29) a atividade de formação “O Compromisso das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) com o Enfrentamento ao Racismo”. O evento ocorreu no auditório do Setor de Educação Profissional e Tecnológica (SEPT), no Campus Politécnico, reunindo estudantes, docentes, técnicos administrativos e representantes de movimentos sociais.
A atividade integrou uma série de ações promovidas nesta semana pela PROAFE com foco no combate ao racismo institucional, uma problemática que impacta o acesso, a permanência e a trajetória de estudantes e trabalhadores no ensino superior. O encontro destacou o papel das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) como espaços estratégicos na promoção da equidade racial e na garantia de direitos.
“Estamos aqui para dar respostas aos estudantes e romper com o racismo estrutural. Infelizmente não existe espaço na universidade livre desse tipo de crime. Portanto, é uma obrigação e compromisso nosso identificar e combatê-lo”, afirmou Lucimar Dias, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Paraná (NEAB-UFPR).
Entre os pontos debatidos estavam a necessidade de fortalecer políticas de ações afirmativas, formação continuada de servidores e gestores sobre práticas antirracistas e o desafio de combater esse tipo de crime nos processos de ensino, pesquisa e extensão. A professora Doutora em Ciências Sociais Juliana Arruda, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), foi quem conduziu o debate. “A população negra historicamente é excluída. E algo precisa ser feito. O combate tem que começar com uma mudança individual que imediatamente deve partir para uma transformação profunda nas estruturas sociais e institucionais.”
Para a vice-reitora da UFPR, Camila Fachin, o compromisso das universidades públicas vai além da implementação de políticas. É preciso monitoramento permanente, transparência nos processos e diálogo constante com a sociedade civil.
“Hoje a UFPR é uma universidade racista. É importante que isso seja dito. Por isso precisamos discutir, mas mais do que isso tomar atitudes para que esse mal seja excluído do ambiente acadêmico. Saibam que o compromisso dessa gestão com o combate ao racismo é firme e forte”, afirmou.
O racismo institucional, embora muitas vezes velado, pode se manifestar de diferentes formas como na falta de representatividade docente, na dificuldade de acesso a cargos de gestão, na desigualdade de permanência estudantil e até na ausência de conteúdos relacionados à história e à cultura afro-brasileira nos currículos.
Nesse contexto, a PROAFE sugeriu uma série de medidas para serem aplicadas na UFPR. São elas:
“A efetividade das ações afirmativas não se sustenta apenas em boas intenções ou desejos. Ela exige a implementação concreta de medidas permeadas por compromisso ético e responsabilidade social, investimento contínuo de recursos financeiros e humanos. São essenciais transformações nos comportamentos e nas estruturas institucionais”, afirma Romilda Silva, pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade da UFPR.
A atividade de formação “O Compromisso das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) com o Enfrentamento ao Racismo” integrou a agenda de ações desta semana da PROAFE voltada à promoção da saúde, equidade e do enfrentamento ao racismo institucional.
Entre segunda (25) e esta sexta-feira (29) foram realizadas reuniões com representantes da área acadêmica e administrativa da UFPR. Entre os assuntos debatidos esteve a construção de um fluxo para denúncias de práticas discriminatórias nas portarias e por seguranças nos prédios da universidade.
A iniciativa prevê criar um protocolo para atender ocorrências de forma com que elas cheguem à Pró-reitoria de Administração (PROAD) e ao Núcleo de Acolhimento da PROAFE fazendo com que os setores se comprometam a tomar as devidas providências junto às empresas contratadas; e em paralelo consigam orientar às vítimas.
Os encontros discutiram ainda a viabilidade da construção de critérios mínimos para ampliar a diversidade em empresas terceirizadas, para garantir a prestação de serviços em consonância com os princípios da UFPR.
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