Os cursos estão entre as 21 novas opções ofertadas pela Universidade Federal do Paraná em seu vestibular deste ano.
Apesar do fato da aqüicultura ser uma atividade em constante crescimento no planeta, ambos os cursos registraram um número de inscritos inferior ao total de vagas oferecidas pela UFPR.
Em Palotina, houve 68 inscritos, que disputam 80 vagas. Em Pontal do Paraná, onde há 30 vagas, apenas sete candidatos se inscreveram. Uma das possíveis razões da baixa procura por Tecnologia em Aqüicultura seria a desinformação.
‘Estávamos tão envolvidos no projeto de implantação do curso que talvez não tenhamos nos preocupado o suficiente com a sua divulgação’, avalia a professora Érica Vidal , futura coordenadora do curso de Tecnologia em Aqüicultura do Centro de Estudos do Mar da UFPR, localizado em Pontal do Paraná. ‘Muitas pessoas ainda ignoram que os cursos de tecnologia são de nível superior, o que também pode ter contribuído para o baixo número de inscritos.’
Aqüicultura é o processo de produção de peixes, moluscos, camarões e outros organismos aquáticos em cativeiro. Conforme levantamento publicado em 2003 pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a aqüicultura mundial tem crescido, em média, 9,2% ao ano desde 1970. Para a FAO, a aqüicultura é ‘crucial’ para o combate à fome no mundo.
O potencial do Brasil para o desenvolvimento da aqüicultura é grande, em razão de seus 8,4 mil quilômetros de costa marítima e 5,5 milhões de hectares de reservatórios de águas doces —aproximadamente 12% da água doce disponível no planeta. Além disso, o clima brasileiro é favorável ao crescimento de organismos cultivados.
‘O país precisa ter mão-de-obra qualificada para trabalhar nessa área’, observa a professora Érica Vidal. ‘O curso de Aqüicultura da UFPR vem suprir a necessidade de um profissional que, em três anos, estará apto a gerenciar e explorar, de forma sustentável, o potencial de produção e criação de organismos aquáticos.’
O mercado de trabalho tem um potencial promissor, devido à crescente demanda mundial pela produção de alimentos de origem aquática. Enquanto a aqüicultura está em alta, a pesca extrativista, próxima de seu limite sustentável, tende à estagnação.
Vagas restantes
O fato de haver cursos cujas vagas não sejam totalmente ocupadas é uma possibilidade prevista pelo edital do vestibular da UFPR. Nesses casos, as vagas são preenchidas mediante uma nova opção feita pelos candidatos não convocados em seus respectivos cursos. É obedecida a ordem de classificação nas provas.
Podem concorrer às vagas restantes todos os candidatos que tenham feito as provas específicas do curso pretendido. No caso de Tecnologia em Aqüicultura, como a única prova da segunda fase será a de produção e compreensão de textos —comum a todos os cursos—, todos os aprovados para a segunda fase e que não sejam eliminados poderão concorrer às vagas.
‘Esse item do edital não é novidade. A universidade já usou desse expediente em outros concursos, no passado’, explica a pró-reitora de Graduação da UFPR, Rosana de Albuquerque Sá Brito. ‘Em janeiro, vamos divulgar um edital que disciplinará os detalhes desse processo de aproveitamento de vagas.’
Convênio no Paraná
O curso de Aqüicultura da UFPR é um dos pilares de um convênio recentemente firmado entre a FAO e o governo do Estado para impulsionar e garantir a sustentabilidade da aqüicultura no Paraná. O valor total do convênio é de R$ 6 milhões.
O objetivo do convênio é incentivar o cultivo de pesca de água doce e de água salgada por produtores e pescadores familiares. A expectativa é que o Paraná aumente a produção de pescados em 50% até 2011. A produção atual é de 20 mil toneladas por ano.
A sede do curso da UFPR em Pontal do Paraná será construída no balneário de Praia de Leste, num terreno à beira-mar de 8,6 mil metros quadrados, doado pela prefeitura.
Laboratório
No mesmo terreno da sede do curso, será construído pelo governo estadual um laboratório para a produção em larga escala de larvas do camarão-branco, o Litopenaeus schmitii.
As larvas de camarão serão utilizadas em um programa de repovoamento do litoral paranaense desenvolvido pelo GIA -Grupo Integrado de Aqüicultura e Estudos Ambientais da UFPR.
O laboratório poderá também ser utilizado para o cultivo de outras espécies e beneficiar diversas comunidades do litoral paranaense. Ao todo, o projeto do laboratório está orçado em cerca de R$ 2,5 milhões.
A obra tornará possível a manutenção de plantéis de organismos que serão utilizados nas atividades práticas de ensino e pesquisa do curso de Aqüicultura.
Em decorrência do papel que a aqüicultura vem adquirindo em todo o mundo, a expectativa da UFPR é de que o novo curso atraia cada vez mais candidatos nos próximos anos.
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Fonte: Fernando César Oliveira
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