O que o amanhã espera das novas gerações de profissionais? Para ajudar estudantes a refletirem sobre a escolha de suas carreiras, o Portal UFPR apresenta uma série de matérias sobre as oportunidades presentes na maior feira de cursos e profissões do Paraná, o Universo UFPR. O evento, gratuito, acontece em junho, em Curitiba, e será a oportunidade perfeita para conhecer de perto mais de 100 cursos de graduação da universidade e explorar as possibilidades de futuro que cada área oferece.
As profissões mudam, surgem novas tecnologias e o mercado de trabalho se transforma constantemente. Em meio a esse cenário, áreas tradicionais como Direito, Administração, Economia, Ciências Contábeis e Gestão da Informação seguem cada vez mais alinhadas às demandas atuais.
Diante dessas diferentes áreas, docentes da UFPR apontam como as novas tecnologias vêm caminhando lado a lado com a valorização de competências humanas, como pensamento crítico, ética, comunicação e capacidade de análise.
Para a diretora do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR, Melina Girardi Fachin, as mudanças tecnológicas não diminuem a importância das habilidades humanas dentro do Direito.
“Hoje, mais do que nunca, algumas habilidades humanas permanecem absolutamente indispensáveis para os profissionais do Direito. A tecnologia consegue processar dados, organizar informações e até sugerir caminhos argumentativos, mas ela não substitui capacidades como pensamento crítico, sensibilidade ética, escuta qualificada, interpretação contextual, criatividade jurídica e compromisso democrático.”
Segundo Melina, o Direito continua diretamente ligado às relações humanas e às complexidades sociais, exigindo profissionais capazes de dialogar, interpretar contextos e compreender os impactos sociais das decisões.
A inteligência artificial já está presente em diferentes áreas jurídicas, auxiliando em pesquisas jurisprudenciais, análise de contratos, organização documental e identificação de padrões decisórios. Ao mesmo tempo, o avanço dessas tecnologias também traz desafios importantes.
“A discussão sobre IA no Direito não pode ser apenas instrumental; ela precisa envolver temas como proteção de direitos fundamentais, transparência algorítmica, discriminação tecnológica, responsabilidade, acesso à justiça e preservação da dimensão humana das decisões jurídicas”, destaca Melina.
As transformações também atingem diretamente os cursos do Setor de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR. Para a vice-diretora do setor, Queila Regina Souza Matitz, o impacto da inteligência artificial atravessa praticamente todas as profissões da área.
“Parte do trabalho operacional tende a ser automatizada, enquanto atividades relacionadas à interpretação, julgamento, estratégia, ética, criatividade e coordenação humana tornam-se mais centrais.”
Na Administração, por exemplo, o foco da formação passa a valorizar cada vez mais liderança, inovação e tomada de decisão estratégica. Já na Economia, as transformações digitais vêm incorporando ferramentas computacionais, inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados, exigindo dos futuros profissionais domínio técnico e capacidade de interpretação crítica.
Segundo o professor do Departamento de Economia da UFPR, Victor Rodrigues de Oliveira, softwares como R, Python e Stata já fazem parte da rotina da formação econômica contemporânea, permitindo análises mais sofisticadas e o desenvolvimento de modelos capazes de identificar padrões que métodos tradicionais não captariam. A econometria, por exemplo, tem incorporado recursos de machine learning, com novas possibilidades de análise e compreensão dos fenômenos econômicos.
“Justamente porque a IA automatiza o que é repetitivo e técnico, as competências genuinamente humanas se tornam o diferencial do economista.”
Entre essas competências estão o pensamento crítico, a capacidade de questionar dados e modelos, a comunicação de análises complexas para públicos não especializados e a compreensão das relações entre fatores econômicos, sociais e institucionais.
A formação em Ciências Econômicas na UFPR combina base teórica e ferramentas empíricas, preparando os estudantes para tomar decisões em cenários marcados por incertezas e mudanças constantes. Trabalhos de conclusão de curso, estágios e atividades de iniciação científica também funcionam como espaços de aplicação prática dos conhecimentos desenvolvidos ao longo da graduação.
Para Victor, o profissional da área precisará reunir cada vez mais competências tecnológicas e humanas. “O economista do futuro próximo será cada vez mais um analista híbrido: domina modelos econômicos, mas também sabe programar, interpretar algoritmos e comunicar insights de forma estratégica.”
Segundo o professor, o mercado já aponta para uma crescente demanda por economistas em empresas de tecnologia, fintechs, consultorias de dados, além de áreas ligadas à sustentabilidade, economia comportamental e regulação digital.
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Em Ciências Contábeis, tarefas operacionais tendem a ser automatizadas, contribuindo para uma atuação mais voltada à governança, gestão de riscos e consultoria. Para o professor do curso de Ciências Contábeis da UFPR, Vagner Alves Arantes, a inteligência artificial e as ferramentas digitais vêm transformando a forma como a contabilidade é praticada, especialmente em atividades relacionadas ao processamento e à análise de informações.
Nesse contexto, a formação dos estudantes vai além do domínio das técnicas tradicionais e passa a incluir competências ligadas à interpretação de informações, ao pensamento crítico e à resolução de problemas complexos. “O objetivo é formar profissionais capazes de utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio à tomada de decisão.”
Segundo o professor, o mercado valoriza cada vez mais profissionais cooperativos, criativos, críticos, inovadores e adaptáveis, além de habilidades de comunicação e comportamento ético.
A tendência, segundo Vagner, é que o profissional contábil ocupe posições cada vez mais estratégicas nas organizações, atuando em áreas como controladoria, compliance, governança corporativa e análise de dados.
“O profissional contábil passa a assumir um papel mais estratégico, atuando não apenas como produtor de informações, mas como agente de transformação organizacional, capaz de interpretar dados, gerar conhecimento e contribuir para a construção de organizações eficientes, transparentes e sustentáveis.”
Na Gestão da Informação, a transformação digital exige profissionais capazes de atuar na curadoria, organização e uso responsável de dados e informações. Segundo a Vice-Coordenadora do curso de Gestão da Informação, Joana Gusmão Lemos, a inteligência artificial amplia as possibilidades de atuação dos profissionais da área, mas exige uma formação que combine gestão, informação, tecnologia e pensamento crítico.
“As tecnologias digitais e a inteligência artificial são abordadas como ferramentas que, quando utilizadas de forma correta, ética e responsável, potencializam a coleta, o tratamento, a análise e a disseminação da informação.”
A professora explica que os estudantes são preparados para compreender a informação como um recurso estratégico para pessoas, organizações e comunidades, desenvolvendo competências relacionadas à análise de dados, inteligência organizacional, sistemas de informação e transformação digital.
Além das competências técnicas, a formação busca desenvolver habilidades como comunicação, liderança, criatividade, trabalho colaborativo e resolução de problemas complexos, características cada vez mais valorizadas em ambientes profissionais em constante transformação.
A ética também ocupa papel central na formação. Temas como privacidade, proteção de dados, segurança da informação, transparência, inclusão digital, governança da informação e impactos dos algoritmos fazem parte das discussões realizadas ao longo do curso.
“A transformação digital é abordada não apenas como um fenômeno tecnológico, mas também organizacional, cultural e social.”
Para Joana, o futuro da profissão está ligado à crescente importância dos dados e da informação como ativos estratégicos para organizações de todos os setores. Áreas como governança e qualidade de dados, inteligência de negócios, análise e visualização de dados, gestão do conhecimento, experiência do usuário e inteligência artificial aplicada estão entre as que devem ganhar ainda mais espaço nos próximos anos.
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Segundo Queila, a formação no Setor de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR integra sólida fundamentação teórica e experiências práticas, articulando graduação, pesquisa, extensão e pós-graduação.
“Busca-se formar profissionais capazes de articular pensamento crítico, rigor acadêmico e atuação qualificada diante dos desafios contemporâneos.”
Setor de Ciências Sociais Aplicadas
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Ciência e Gestão da Informação
Setor de Ciências Jurídicas
Direito
Serviço
Universo UFPR 2026
Data: 11 a 14 de junho
Horário: das 9h às 18h
Local: Centro de Eventos Positivo. Alameda Ecológica Burle Marx, 2518 – Santo Inácio, Curitiba – PR
Evento gratuito
Agendamento para escolas e ingressos individuais: https://agendamento.universoufpr.com.br/
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