Programa permitiu saber altura máxima das copas das árvores, mas faltam dados sobre sementes, folhas e densidade da madeira. Na foto, Reserva Biológica do Parque Equitativa (RJ). Foto: Filipo Tardim/Commons

Ciência UFPR: Por que deveríamos saber mais sobre as árvores da Mata Atlântica?

25 setembro, 2026
09:31
Por Livia Inacio
Ciência e Tecnologia

Prestamos pouca atenção às plantas sem interesse econômico, mas todas são essenciais para o resgate do bioma do qual restam apenas 28% da área. Texto de Ana Carolina Petisco de Souza, Fernanda Brum, Márcia Marques e Marcos Carlucci

Observar a natureza há tempos tem intrigado os estudiosos da biodiversidade e aqueles que se beneficiam de recursos naturais. A princípio, as observações poderiam surgir por mera curiosidade ou sem objetivo claro. Podemos imaginar que aquelas espécies de plantas e animais que estivessem ao alcance do olhar atento dos observadores seriam as primeiras estudadas.

Se pensarmos em uma planta, sua altura poderia ser medida, seu caule analisado, suas flores e folhas desenhadas em seus detalhes e estruturas, e seus frutos saboreados. Essas plantas seriam aquelas que costumamos encontrar em quintais, praças, ruas e florestas.

Dentre elas, estariam plantas comuns e que não são facilmente prejudicadas pelas alterações que o homem realiza na paisagem e plantas com alguma utilidade, cultivadas ou exploradas em seu habitat natural para fins alimentícios ou de matéria prima para móveis, construção civil e fibras, por exemplo.

No decorrer da história, informações sobre tais plantas poderiam ser transmitidas, acumuladas, armazenadas, discutidas e utilizadas para diversos fins científicos e não-científicos.

Por outro lado, aquelas espécies de plantas que fossem dificilmente encontradas, por serem naturalmente raras por exemplo, ou que não possuíssem um uso claro e direto para os homens, não teriam a mesma quantidade de informações disponíveis.

Ou seja, para algumas espécies até mesmo o conhecimento oriundo de observações corriqueiras poderia ser deficiente, como por exemplo, informações de onde a espécie pode ser encontrada ou se troca ou perde as folhas ao longo do ano.

A diferença entre o que não sabemos e o que deveríamos saber a respeito das espécies é chamada de lacuna de conhecimento da biodiversidade.

Mesmo que uma espécie possa ser mais conhecida que outras, devido a trajetórias históricas da ciência, ou devido a interesses em matéria prima, ela pode ter importância na regulação e no funcionamento de ecossistemas.

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