Estudo da UFPR realizado com ratos avalia como diferentes doses dessa gordura afetam a saúde materna e podem gerar efeitos duradouros no desenvolvimento dos filhotes
Não foi por acaso que o ômega-3 virou um queridinho da suplementação entre gestantes. Desde a década de 1970, estudos vêm demonstrando seus benefícios para o desenvolvimento do sistema nervoso do bebê, além do papel na modulação da resposta inflamatória da mãe e do feto. Mas em que quantidade ele deixa de ser benéfico e passa a ser prejudicial? Essa foi a pergunta que guiou a tese de doutorado de Matheus Felipe Zazula, orientado pela professora Katya Naliwaiko, do Departamento de Biologia Celular da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O estudo, realizado com 200 ratas da linhagem Wistar, investigou os efeitos de diferentes doses de ômega-3 durante a gestação a partir de um conceito da toxicologia conhecido como hormese. Segundo esse princípio, uma mesma substância pode produzir efeitos diferentes conforme a dose: ser benéfica em determinadas quantidades e prejudicial em outras, mostrando que, em biologia, nem sempre mais é melhor.
Zazula também incorporou conceitos do DOHaD (Developmental Origins of Health and Disease, ou Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença), campo que investiga como as condições da gestação e os primeiros anos do indivíduo influenciam sua saúde por toda a vida. A ideia era ajudar a entender em que medida o excesso de ômega-3 poderia causar riscos para a mãe e levar a danos duradouros para o bebê.
O ômega-3 é uma família de ácidos graxos poli-insaturados, tipo de gordura essencial para o funcionamento do organismo que participa do desenvolvimento do cérebro e da retina, da regulação da resposta inflamatória e da saúde cardiovascular. Como o organismo humano não consegue produzir quantidades suficientes de alguns desses compostos, como o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosa-hexaenoico (DHA), eles precisam ser obtidos pela alimentação ou por suplementação.
O problema é quando o consumo é excessivo. Segundo Zazula, estudos anteriores ao seu já apontavam que doses superiores a 3 g/dia de EPA e DHA exigem monitoramento clínico devido ao risco de efeitos adversos. Outras pesquisas indicavam ainda que, quando a suplementação ultrapassava de 4 a 6 g/dia, os benefícios cardiovasculares tendiam a se estabilizar ou até se reverter.
Leia a matéria completa, com infográfico, no site da Ciência UFPR
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